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Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Um lugar ao sol...no Lido

9 de agosto de 2017.

 

Provavelmente vai ser a crónica mais veraneante desta viagem italiana. Este dia foi literalmente de descanso, de paz e harmonia... e claro, banhos. Ok, foi dia de praia. Porque também mereciamos uns banhos de sol e mar. 

Acordei cedo, novamente. A noite não tinha sido pacífica porque um dos meus maiores pesadelos aconteceu: enxaqueca. Sofro de enxaquecas e ando a ser medicada para ter uma melhor qualidade de vida. Quem padece deste mal, sabe do que falo. Tive de acordar a Joana a meio da noite e pedir-lhe o "santo" brufeno. Talvez o sol que apanhei na moleira no passeio feito horas antes tenha contribuído para o seu aparecimento. Ou então foi mesmo uma estupida coincidência só para me martirizar um pouco mais. As pernas estavam a ficar cada vez mais normais e bronzeadas. Ainda tinha algumas babas, mas já estavam a ficar secas.Os tornozelos estavam normais, mas poderiam inchar como sempre. O dia estava propício ao descanso na praia e, por isso, decidimos rumar a Veneza, apanhar o vaporetto e ir à Praia do Lido.

Não falo do pequeno-almoço, porque continuou a ser deprimente. O autocarro não estava cheio...que surpresa! Até tivemos direito a assento! A viagem para Veneza foi curta, como sempre. Parámos na Piazzale Roma e fomos comprar o bilhete de vaporetto. Gastamos 15 euros num bilhete de ida e volta até ao Lido. Tão simpáticos nos preços dos transportes! Atravessamos o Grande Canal, rumo à praia. Em poucos minutos, chegámos ao destino pretendido.

O que dizer de Lido di Venezia? Bem... é uma ilha situada à entrada da lagoa de Veneza, com 18 kms de comprimento. É uma longa parede de areia que separa a lagoa do golfo de Veneza (Mar Adriático). É uma estância balneária e turistica, onde se realiza o festival cinematográfico da Bienal de Veneza, bem como o Festival Internacional de Cinema de Veneza em setembro. Também é neste local que se realizam diversas exposições de arte e se encontra um casino. Tem 20 mil habitantes e possui três localidades:o próprio Lido a norte (que alberga o Grand Hotel des Bains, o casino e o Grand Hotel Excelsior), Malamocco no centro (foi a primeira povoação e lugar de residência do Doge de Veneza) e Alberoni no sul (alberga o Forte de San Nicolo e um campo de golfe).

Ficámos pelo Lido e fomos à sua praia, que ainda ficava a uma longa caminhada. Notou-se o esmero nas ruas, imaculadamente limpas e cheias de arvoredo. Os edificios eram agradáveis à vista e sentia-se uma enorme descontração no ar, apesar do intenso calor. Deparámo-nos com um edificio imponente com a designação de Grande Albergo Ausonia & Hungaria. Localizado na Gran Viale Santa Maria Elisabetta, a rua principal de Lido, e que conduz até à praia, este hotel foi inaugurado em 1907 pelo empresário Friuli Frederico Fabrizio. O seu nome original era Hungaria Palace Hotel e foi desenhado pelo Arquitecto Nicolo Piamonte. A maioria dos hóspedes deste hotel vinha do noroeste da Europa, visto que o reino da Húngria estava bem conectado com Veneza por comboio e por mar. Esteve fechado durante a I Guerra Mundial, tendo reaberto em 1920. Devido a um conflito entre a Áustria e a Húngria, a designação do hotel alterou-se para Ausonia. Foi renovado em 2011 e, anualmente, recebe as estrelas internacionais que participam no Festival de Cinema.

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Depois de 10 minutos a caminhar, chegámos à praia. São mais de 12 kms de areia que se espalham pela ilha. Sinceramente, não se diferencia de uma qualquer praia da linha em Portugal. Tem os seus bares e restaurantes, os toldos alinhados não muito longe do mar, concecionando algum espaço. Não era uma praia totalmente limpa, quer na areia, quer no mar. Comparativamente com as águas cristalinas das praias da Croácia, fica aquém das expectativas. Contudo, é uma praia historica visto que o escritor Thomas Mann escreveu o romance "Morte em Veneza" na mesma. Luchino Visconti deu vida ao livro em 1971, gravando o filme com o mesmo nome nesta praia, no Hotel Excelsior e em Veneza. Engraçado... eu conhecia o filme, mas nunca me dei ao trabalho de saber algo mais sobre ele. Repentinamente, vi-me a consultar o IMDB e a net à procura de videos sobre o filme, nomeadamente a rodagem do mesmo nos locais já mencionados.

O ponto mais positivo desta praia é, sem dúvida, a temperatura da água do mar. Tão quentinha, convidando a muitos mergulhos, apesar das ondas elevadas, das algas e da areia que inundava o bikini. Inicialmente, não estava muito impressionada com a praia, mas depois deixei-me levar. Caramba, estava de férias em Itália e merecia libertar-me de preconceitos e opiniões negativas. Passei o resto da manhã, essencialmente entre o mar e a areia.

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Depois de umas horas bem passadas em banhos de mar e de sol, retornámos ao cais e apanhámos o vaporetto de volta a Veneza. O nosso objetivo era chegar ao hotel, tomar um duche, descansar durante umas horas no quarto e, depois, desfrutar do romantismo e singularidade de Veneza pela última vez. E sim, jantar comida verdadeiramente italiana!

O nosso maior aliado nesta viagem foi, inquestionávelmente, o Tripadvisor. Este site, através das opiniões de outros turistas, permite descobrir restaurantes onde vale mesmo a pena desfrutar de uma refeição. E, graças a ele, encontrámos um dos melhores restaurantes de Veneza, chamado Trattoria Bar Pontini (https://www.facebook.com/pages/Trattoria-Pontini/909964329144024), em pleno distrito de Cannaregio, junto a um dos inúmeros canais existentes. Não sei por onde começar... eram 19:30h, hora local, quando chegámos ao restaurante. Já estávamos cientes que, provavelmente, teriamos que esperar por uma mesa. Aliás, no Tripadvisor isso estava mais que falado. Um restaurante com muitas reservas e sempre a bombar. Passa despercebido junto ao canal, apesar de ter uma entrada charmosa. Possui uma esplanada exterior, onde toda a clientela quer estar. Mas haverá momento mais delicioso que comer comida italiana junto a um dos canais de Veneza, vendo as gondôlas a passar debaixo das pontezinhas? Claro que não! Quando chegámos, deparámo-nos com uma fila de espera que prometia estender-se indefinidamente. Tinhamos 4 casais e um grupo de asiáticos à frente e atrás de nós. Erámos as únicas europeias no meio de tantos orientais. De facto, os turistas asiáticos têm um faro apurado para descobrir bons restaurantes. A nossa espera foi, sensivelmente, de uma hora...em pé. Já começava a babar ao ver os magnificos pratos que iam para as mesas, especialmente a tigelada de tiramisú. A Joana, inquieta, entrava e saía do restaurante para tentar perceber como estava o ambiente... muito movimentado, por sinal. Às 20:30h, finalmente sentámo-nos numa pequena mesa de frente para o canal. A senhora que nos atendeu demonstrou sempre muito profissionalismo e simpatia, até mesmo nos momentos mais agitados. Assim que abrimos o menú, ficámos maravilhadas com a sua diversidade e qualidade. Havia pastas de todos os tipos, bem como pizzas, pratos de carne e de peixe. A Joana comeu esparguete com frutos de mar e marisco, que só de olhar, fazia verter água pela boca. Eu decidi-me pelo Penne al Salmone, massa penne com pedaços de salmão. Meu Deus...estava divinal! Não comi algo tão agradável ao palato, tão suave que se desfazia na boca. O meu prato estava excelente e pelo ar de felicidade da Joana, o dela também estava semelhante. De seguida, pedimos o doce mais requisitado do restaurante... uma enorme tigela de tiramisú. Só tenho uma palavra para descrever este doce: soberbo. A melhor sobremesa que alguma vez comi! E bastava só uma tigela para duas pessoas. E tudo isto por 20 euros cada uma!

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Para além da excelente refeição, também desfrutamos de uma interessante conversa com um casal estrangeiro. Ela era escocesa e ele neo-zelandês. Viviam na Austrália, onde ele era mineiro. Partilharam as suas viagens turísticas, onde confessaram que ainda não tinham visitado Portugal, embora tivessem vontade de o fazer. Ele fez questão de salientar as diferenças entre um australiano e um neo-zelandês, porque havia o hábito de se confundir as duas nacionalidades. Eles estavam a fazer uma viagem de quase um mês pela Itália e ainda faltava muito para ver. Achamos piada ao desejo do casal: ir viver para a Tailândia quando se reformassem! O motivo era bastante válido...o custo de vida é extremamente baixo, bem como o preço das cervejas.

Saímos do restaurante, de bem com a vida e com a barriguinha confortada. Passeámos pelas ruelas e pracetas de Veneza, onde pude observar sinais de raiva e indignação dos habitantes para com os turistas. Em várias pracetas, encontravam-se afixadas mensagens contra os turistas e onde se percebia que os locais queriam o seu sossego de volta. Entendo este ponto de vista...também eu já não consigo achar piada ao enxame de pessoas que invade Lisboa diariamente, impedindo-me de desfrutá-la convenientemente. Ainda estivemos sentadas à beira de um canal, onde conhecemos uma mãe e um filho belgas, que falaram maravilhas de Portugal, especialmente de Lisboa e Cascais. 

O dia acabou no hotel, onde chegamos cansadas, mas extremamente felizes. O dia teve um final espectacular e são estes finais que tornam a vida mais especial. No dia a seguir, iriamos para Florença, em pleno coração da Toscânia.

 

 

 

 

 

Pelos recantos de Veneza

8 de agosto de 2017.

 

Hoje foi dia de fazer um pouco de ronha na cama, visto que os dias anteriores foram repletos de passeios e descobertas. Olhei para as minhas pernas e sorri. Elas estavam com melhor aspecto, sem dúvida. As babas iam escurecendo e já não causavam comichão. Bendita pomada! O dia seria dedicado a visitar Veneza com mais pormenor, percorrendo outros caminhos desconhecidos. Vendo bem, seria visitar a outra margem que não tinha sido descoberta anteriormente.

Depois de um pequeno-almoço novamente deprimente e de uma viagem de autocarro, onde estávamos completamente comprimidas entre vários sovacos e suores, chegámos à bela Veneza. O céu estava imensamente azul, não se via uma nuvem. O sol intenso incidia nas ruazinhas e pracetas, ameaçando dificultar o nosso passeio.

Mesmo em frente à Estação Ferroviária de Santa Lúcia, na outra margem, situa-se a igreja de San Simeone Piccolo, pertencente ao distrito de Santa Croce. Atravessámos a Ponte Scalzi e dirigimo-nos a este belo edificio, construído entre 1718-38 por Giovanni Antonio Scalfarotto, com traços emergentes da arquitectura neoclássica. A sua cúpula assemelha-se á da igreja de Santa Maria della Salute, mais embelezada e proeminente. O seu desenho circular e central, bem como a cúpula de metal fazem lembrar os modelos bizantinos. Foi uma das últimas igrejas construídas em Veneza, num dos seus distritos mais pobres. O frontão da entrada possui um relevo de mármore, que relata "A Martirização dos Santos" de Francesco Penso, conhecido como Il Cabianca. Supostamente, San Simeone foi o primo martirizado de Cristo, visto como um judeu pelos romanos.

 

 

É importante relevar a beleza da Ponte Scalzi (Ponte Degli Scalzi), uma das quatro pontes a atravessar o Grande Canal. A sua designação significa "Ponte dos Monges". Esta ponte liga o distrito de Santa Croce ao distrito de Cannaregio. Foi desenhada por Eugenio Miozzi e completada em 1934, substituindo uma ponte de ferro austríaca. 

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Algumas ruas depois, encontrámos a igreja de San Simeone Profeta, conhecida por San Simeone Grando, para se distinguir da maior igreja de San Simeone Piccolo. Foi fundada em 967 pelas famílias patrícias de Ghisi, Adoldi e Briosi. Originalmente foi um humilde edificio de madeira, até ser reconstruído, depois de um incêndio em 1150, em pedra e ser transformado numa igreja paroquial. Atualmente possui uma fachada neoclássica, com um interior reconstruido no Séc. XVIII por Domenico Margutti. 

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Logo de seguida, deparamo-nos com a Igreja de San Giacomo dell'Orio, cujo nome é de origem desconhecida, podendo derivar de uma árvore de louro que existira perto do edificio. Foi fundada no Séc. IX e reconstruída em 1225. O campanário data desse período. Sofreu uma enorme renovação em 1532 e o seu telhado de quilha de navio data do Séc. XIV. Duas das suas colunas proveiram da Quarta Cruzada, depois do saque a Constantinopla.

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Mais algumas ruelas caminhadas e chegámos ao Campo della Pescaria, onde se situa o mercado principal, perto da Ponte Rialto. Este local enche-se diáriamente de locais e turistas, que querem comprar os coloridos produtos locais, desde fruta, legumes, flores, entre outros. Este mercado, mesmo junto à margem do Canal Grande, existe há sete séculos. Enquanto Joana visitava o mercado, preferi ficar junto ao cais, onde observei as gôndolas que partiam para chegar à outra margem.

 

 

Do cais, pude também observar a magnifica fachada do Ca' d' Oro, um palácio situado no distrito de Cannaregio e voltado para o Grande Canal. Este edificio foi construído entre 1421 e 1440, por encomenda do mercador veneziano Marino Contarini. Depois da morte deste último, ocorrida em 1441, e logo de seguida à do seu unico filho, Piero, este palácio foi dividido entre os filhos deste último, desencadeando uma longa série de mudanças de proprietário nos séculos seguintes, que iriam modificar a sua fiosionomia, especialmente no interior, devido às diferentes necessidades de habitabilidade. No final do Séc. XIX, este edificio foi sujeito a um restauro, a mando do seu proprietário de então, Alessandro Trubetzkoi, tendo sido modificada a sua fachada e interior. Em 1894, todo o edificio foi comprado pelo barão Giorgio Franchetti, que empreendeu um enorme restauro filológico no mesmo, por forma a reportá-lo o mais possivel à sua morfologia quatrocentista. O seu objetivo primordial era hospedar a sua colecção de arte para torná-la visitável ao público. Em 1927, foi inaugurado o museu Galleria Giorgio Franchetti (http://www.cadoro.org/?lang=en).

 

 

Perto da turistica e bem agitada Piazza San Marco, encontrámos a bela igreja católica de San Moisé, de estilo barroco. Foi construída inicialmente no Séc.VIII. É dedicada a Moisés, porque os venezianos consideram, com frequência, os profetas do Velho Testamento como santos canonizados. Também honra Moisé Venier, um aristocrata responsável pela sua reconstrução durante o Séc. IX. 

A sua fachada barroca, datada de 1668, impressiona quem a contempla. A sua decoração consiste em esculturas, muitas delas atribuídas a Heinrich Meyring. A sua arquitectura é atribuída a Alessandro Tremignon, com o patronato de Vincenzo Fini, cujo busto se encontra no cimo da porta de entrada. Antigamente, as estátuas em espaços públicos eram proibidas em Veneza. Assim, ao colocar o seu busto na fachada de uma igreja, Fini poderia mostrar a sua riqueza.

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Umas ruas mais à frente, a caminho da Ponte Accademia, descobrimos mais uma igreja, neste caso, a de San Vidal, que atualmente funciona como local para realização de concertos musicais. Neste sítio foi erigida uma igreja no ano de 1084 pelo doge Vitale Falier. Esta igreja foi destruída em 1105 por um incêndio e a sua reconstrução durou até ao Séc. XVI. Em 1696, voltou a ser reconstruída em honra do antigo doge Franscesco Morosini. A fachada, construída entre 1734 e 1737, foi concebida por Andrea Tirali e contem retratos esculpidos do doge Carlo Contarini e da mulher, Paolina. Em 2016, esta igreja tornou-se num local dedicado a eventos musicais.

 

 

De seguida, chegámos à Ponte dell' Accademia, em forma de arco, e que atravessa o Grande Canal. Orginalmente em ferro, foi inaugurada em 1854 e fica próxima da Gallerie dell' Accademia. Na sequência desta obra, foi aberto um concurso para edificar uma ponte em pedra. O projeto vencedor de Torres e Briazza não foi realizado e construiu-se uma ponte em madeira, da autoria de Eugénio Miozzi, inaugurada em 1933. Sucessivas intervenções adicionaram os elementos metálicos à obra original.

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A caminho da Basilica de Santa Maria della Salute, encontrámos numa pequena praceta a antiga igreja de San Gregorio, que fica nas traseiras do Palácio Genovese. Foi inaugurada no Séc. IX, tornando-se uma abadia no Séc. XIII. No Séc. XV, foi reconstruída por Antonio da Cremona. Em 1775, depois de um longo periodo de crise, a abadia fechou e em 1807, depois da ocupação napoleónica de Itália, deixou de ser uma igreja paroquial. A sua fachada é gótica, com uma porta ogival e longas janelas. Atualmente, é um edificio sem uso.

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Chegámos ao edificio mais imponente e majestoso do distrito de Dorsoduro, Basilica de Santa Maria della Salute. É uma pequena basilica e igreja católica situada em Punta della Dogana, entre o Grande Canal e o Canal de Giudecca, que pode ser contemplada da Piazza de San Marco. Este edificio foi construído e dedicado à Nossa Senhora da Saúde, por causa da praga que assolou Veneza em 1630. Foi desenhado por Baldassare Longhena, num estilo barroco, e a sua construção iniciou-se a 1631. A cúpula desta basilica foi uma importante adição a Veneza, tornando-se emblemática na sua paisagem.

 

 

Para finalizar o dia, percorremos o distrito de Cannaregio. Não é um distrito tão vistoso e memorável como os anteriores. O seu nome provem dos canaviais existentes no local antes de ser habitado ou do Canal Regio (canal real), que permitia entrar facilmente na cidade para quem vinha do continente. Foi neste distrito que foi estabelecido o primeiro ghetto em 1516, com sinagogas e um emotivo monumento que recorda os judeus deportados de Veneza. Aqui localizam-se as igrejas de Madonna dell'Orto, Santa Maria Assunta e de Santa Maria dei Miracoli. Junto ao Grande Canal, encontram-se dois belos palácios: Vendramin Calergi, que serve de casino municipal e o Ca' d'Oro, anteriormente mencionado.

Depois de um longo dia de descobertas venezianas, o cansaço tomava conta de nós e a fome também. Tinhamos de comer qualquer coisa antes de regressarmos ao hotel. E assim aconteceu o segundo roubo e, talvez, o episódio mais insólito desta viagem. Antes mesmo de relatar este episódio, tenho de confessar que Veneza, tal como Lisboa e outras cidades portuguesas, está a tornar-se asiática. Sim, existem muitos estabelecimentos comerciais chineses em Veneza. Quer seja lojas de roupas que vendem tudo a 8 euros, passando por lojas de souvenirs ou restaurantes, lá estão eles para dominar a cena do comércio. Pois bem, eu e a Joana resolvemos jantar num restaurante chinês dedicado à comida italiana. Como estávamos cansadas, sentamo-nos numa das várias mesas do restaurante e pedimos o prato do dia com direito a bebida, que custava a módica quantia de 9 euros. A Joana pediu um prato de massa à bolonhesa e eu um prato de massa carbonara. O que veio parar às nossas mãos foi uma versão mediocre deestes pratos italianos. Pouca quantidade no prato e uma apresentação de fazer bradar aos céus. O meu prato parecia-se vagamente com a massa carbonara, assim como o sabor. No entanto, o prato de Joana ainda era mais decepcionante. Tão bem ela sumarizou a situação: "A minha massa só tinha molho da Guloso em cima.. Um prato que me custou nove euros, quando a eles só custou 0,60€". A sensação de banhada autêntica invadiu-nos e ainda dura até hoje. Sinto-me envergonhada por ter sido enganada desta forma. Lição que se tira deste roubo declarado: nunca façam refeições junto aos pontos mais turisticos, porque serão vítimas de roubo, como nós fomos. Os melhores sitios para se comer excelente comida italiana são em zonas bem menos turísticas, como Cannaregio. E vim a descobrir isso no dia seguinte. 

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 89-141.

 

 

Vidro em Murano e arco-íris em Burano

7 de agosto de 2017.

 

Depois de uma noite bem dormida, acordei um pouco mais confortada. A pele das minhas pernas começava a regressar à normalidade. As babas já não estavam tão assanhadas, a comichão inicial tinha desaparecido e não sentia dores nos pés. Contudo, os tornozelos ainda estavam inchados. Mais um dia difícil, pensei para com os meus botões.

Afinal, o quarto não era tão decepcionante como inicialmente se previra. O colchão era bom e a noite foi bem passada. Apesar do atrito com o recepcionista que teimava que a televisão estava a funcionar, apesar de não funcionar ("bastava carregar no botão exit", dissera ele), o assunto resolveu-se sem mais delongas. Contudo, o pequeno-almoço era pobre e pouco diversificado. Passar de um hotel que oferecia um manjar dos deuses logo pela manhã, para outro que só nos oferecia poucos alimentos, foi, no mínimo, chocante. Poucos cereais, pouco pão (e duro, por sinal), pouca pastelaria (só havia pequenos croissants, que por acaso eram bem apetitosos), quase nenhuma fruta, iogurtes e o cappucino era de máquina, deslavado e sem charme. E ainda por cima, amargo. Enfim, lá tentei alimentar-me bem com o que tinha. Levar alguma comida para o passeio? Nem pensar! Estava bem explicito e colado na parede, junto à mesa do pequeno-almoço: No take away! Sovinas!

Depois da decepção matinal, lá fomos para a paragem de autocarros que ficava a 20 metros do hotel. Alguns minutos mais tarde, apareceu um autocarro, apinhado de gente, em direcção a Veneza. As pessoas pareciam sardinhas enlatadas e, mais uma vez, eu e a Joana utilizámos um transporte público sem pagar um tostão. Como é que poderiamos picar o bilhete, se nem nos conseguiámos mexer? E ainda havia a agravante que, nas paragens seguintes, continuavam a entrar pessoas mesmo com o autocarro abarrotado. Os italianos são mesmo doidos!

10 minutos depois saimos na Piazzale Roma, e fomos em direcção à estação dos vaporettos para comprar bilhetes. Optámos pelo bilhete de um dia, que custou 20 euros a cada uma. Iniciamos assim a nossa primeira viagem de barco neste dia, atravessando o Canal Grande da cidade, apreciando-a de uma outra forma. Depois de se passar pela Ponte Rialto, o canal dobra-se em si próprio (La Volta) e depois abre-se quando se aproxima da Piazza San Marco. Os edificios, muitos deles palácios que se encontram nas margens do canal, foram construídos ao longo de cinco séculos e apresentam uma belissima panorâmica da história da cidade. 

 

 

E assim descobrimos Veneza de uma outra forma e constatámos mais uma vez a sua beleza. Quer pelo interior, caminhando pelas suas ruas estreitas, pracetas e pequenas pontes, quer pelo exterior, navegando no Grande Canal, Veneza é um festim infindável para os olhos humanos. Chegámos ao cais da Piazza San Marco e apanhámos outro vaporetto, rumo às ilhas de Murano e Burano. O passeio foi rápido e aprazível. Estava calor e as ondas do mar ajudavam a refrescar o corpo com os seus pingos. A primeira paragem foi em Murano (http://cristaiscadoro.com.br/murano/), conhecido pelas suas fábricas de vidro. Quem nunca ouviu falar do famoso vidro de Murano? Pois bem, assim que pusemos o pé em terra, ouvimos os berros de um homem a indicar o caminho para uma dessas fábricas. Perguntei-lhe, muito educadamente, onde era o posto de turismo e o senhor grunhiu com ar de poucos amigos: "Aqui não há posto de turismo!". Ok, isso significava que iriamos conhecer o local sem mapa ou qualquer outra orientação. O que vale é que o mesmo era relativamente pequeno, e duas ou três horas chegam perfeitamente para descobri-lo. Murano, embora descrito como uma ilha da lagoa de Veneza, é na realidade, um arquipélago de sete ilhas menores, das quais duas são artificiais (Sacca Serenella e Sacca San Mattia), unidas por pontes entre si. Tem aproximadamente 5500 habitantes e fica somente a 1 km do centro de Veneza. É conhecido pelas suas obras em vidro, particularmente objetos decorativos e candeeiros.

 

 

Um dos edificios mais importantes e imponentes desta ilha é a Basilica dei Santo Maria e Donato. Apesar da sua restauração, esta igreja do Séc. XII ainda mantém os seus belos traços originais. É conhecida pelo seu pavimento de mosaicos bizantinos, datado do Séc. XII. Reza a lenda que contém as relíquias do Santo Donatus de Arezzo, bem como ossos largos atrás do altar de um dragão, morto pelo dito santo. É uma das mais antigas igrejas da lagoa de Veneza e foi originalmente construída no Séc. VII, tendo sido reconstruída no Séc. IX e em 1040 d.c., embora talvez tenha existido outras reconstruções mais tarde. O interior desenvolvido desta igreja e as suas valiosas relíquias estão relacionados com a guerra legendária dos párocos da mesma com a igreja vizinha de San Stefano, que durou até 1125, quando Domenico Michele dominou esta igreja, colocando nela as relíquias Santo Donatus de Arezzo. 

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Mas o grande foco de interesse desta ilha é a indústria vidreira com as suas inúmeras fábricas, que poderiam ser visitadas por alguns minutos. Vimos algumas peças de vidro a serem feitas, sendo a figura de um cavalo a mais memorável. Em 1291, todos os cristaleiros de Veneza foram obrigados a mudar-se para Murano devido ao risco de incêndio, por causa da esmagadora maioria dos edifícios de Veneza ser construída em madeira. Durante o século XIV, as exportações começaram e a ilha ganhou fama, inicialmente pelo fabrico de missangas de cristal e de espelhos. O cristal aventurina foi inventado na ilha e, durante algum tempo, Murano chegou a ser o maior produtor de cristal da Europa. O arquipélago, mais tarde, ficou conhecido pelo fabrico de lustres. 

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O resto do passeio foi dedicado à mui arte do shopping, principalmente peças de vidro. Existiam tantas lojas a vender todo o tipo de peças em vidro, o que fazia aumentar a escolha e a dúvida. Depois de percorrer inúmeras lojas, praticamente indiferenciadas, acabei por comprar bijutaria (um colar e um par de brincos) e um gatinho em vidro. Claro que tive de escolher peças pequenas, por forma a caber na bagagem. Para além das visitas às lojas, também almoçámos em Murano, num restaurante à beira de um canal. Contudo, devido ao calor, e ao facto das mesas exteriores estarem totalmente preenchidas por turistas, tivemos que nos contentar em almoçar um menu turístico de 18 euros no interior do restaurante, que, em abono da verdade, estava bem mais fresco e confortável. Tivemos direito a uma entrada (penso que foi bruschetta) e a dois pratos principais. Primeiro, comi a tradicional massa al pomodoro (massa com molho de tomate), e, em seguida, comi um pequeno, mas agradável ao palato, linguado. Eu e a Joana partilhámos uma garrafa de água e acho que tivemos direito a uma sobremesa. Tudo isto por 18 euros... que rica vida!

 

De seguida, apanhámos novamente o vaporetto em direcção a Burano (http://www.isoladiburano.it/en/), que se situa na lagoa de Veneza, sete kms mais a sul. Também é uma localidade constituída por diversas ilhas pequenas ligadas por pontes entre si. É conhecida igualmente pelos seus cristais, trabalhos em renda (que são, de facto, lindíssimos) e por ser um autêntico arco-íris, em plena lagoa. Foi fascinante observar as casas dos seus habitantes extremamente coloridas e, sobretudo, cuidadas. Notava-se que existia um trabalho digno em manter este colorido pela localidade.

 

 

Os primeiros ocupantes das ilhas foram, provavelmente, romanos, mas é no Sec. VI que é baptizada com o seu actual nome, devido à ocupação de pessoas vindas de Altino, que terão dado à ilha o nome de uma das portas da sua cidade. No entanto, existem mais duas versões sobre a origem do nome: uma delas, o nome deriva do apelido da primeira família que ali se estabeleceu, os Buriana, e a outra que o nome foi dado pelos habitantes de Buranello, uma ilha  que fica a 8 km a sul de Burano. Apesar de se ter desenvolvido depressa, Burano continuou a ser parte do território administrado por Torcello, mas sem os mesmos privilégios que os seus habitantes, ou os de Murano, tinham. A situação só se alterou quando as mulheres locais começaram a produzir belas peças de renda, que rapidamente começaram a ser exportadas para o resto da Europa.

Burano tem o seu centro nevrálgico e turístico, a Piazza Baldassare Galuppi, onde se localiza a igreja de San Martino, conhecida pelo seu campanário pendente. Por conta de sua inclinação, o campanário tornou-se no símbolo desta ilha. A estrutura começou logo a ceder na fase de construção. Foi projetado por Andrea Tirali, construído entre 1703 e 1714 e tem 53 metros. Concluindo, os italianos não tinham lá muito jeito para a construção de edificios... todos imponentes, mas alguns tortos (afinal não é só em Pisa). 

 

 

Regressamos a Veneza ao final da tarde, já o sol começava a desaparecer no horizonte. Adoro capturar o pôr-do-sol, em qualquer localidade que eu visite. Tornou-se num hábito desde que fotografei o pôr-do-sol mais inesquecível no Cabo Sounio na Grécia. São estes pequenos momentos que fazem valer a pena viajar por esse mundo fora.

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O jantar já foi em pleno coração veneziano, num pequeno bar chamado Bacaro Risorto (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187870-d1088055-Reviews-Bacaro_Risorto-Venice_Veneto.html), onde bebi um spritz (uma bebida local em tom de laranja) por 4 euros e comi algumas tapas, a preços que variavam entre 1,5 euros e 1,80 euros. No total, foram 8 euros que gastei com a brincadeira. Embora bem referenciado no Tripadvisor (a nossa biblía no que concerne à gastronomia), o bar fica numa rua extremamente agitada, não se destaca da multidão e enche rapidamente, o que se torna dificil arranjar assento depois de uma dia cansativo de passeio.

Ainda tivemos alguma força para apreciar a Piazza San Marco em plena noite, mas não achei que tivesse suficientemente iluminada para deslumbrar os turistas. Gostei muito mais da iluminada e imponente Piazza del Duomo de Milão. No entanto, a Piazza de San Marco possui os seus encantos nocturnos. Existem restaurantes históricos no local, onde os clientes e transeuntes podem apreciar as melodias clássicas tocadas por uma pequena orquestra, enquanto saboreiam um bom vinho e uma deliciosa pasta. Alguns restaurantes até rivalizam entre si, porque as ditas orquestras espalham-se pela praça, numa mistura de melodias que acaba por ser interessante. Só mesmo em Veneza!

E, para acabar o dia em beleza, eu e a Joana regressámos à Piazzale Roma de vaporetto, passeando novamente pelo Grande Canal, tentanto apreciar a cidade na sua fase nocturna. Pois...também não é nada de especial. Os edificios não estão suficientemente iluminados para transmitir o charme que têm, o que é pena. Contudo, foi um dia proveitoso, magnifico e que fazia prometer novas e boas experiências no dia seguinte.

 

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, p. 125.

 

 

 

 

Tempestade em Veneza

6 de agosto de 2017.

 

Dia de arrumar a mala e sair de Milão em direcção a Veneza. As minhas pernas estavam horríveis, mas as manchas estavam mais claras, o que não significava nada. A comichão tinha passado, mas os pés ainda estavam doridos. Provavelmente iriam inchar novamente que nem dois valentes troncos. Parecia uma grávida.

Na noite anterior, tinha pesquisado na net sobre a vaga de melgas que estava a sobrevoar Milão e descobri um relato de uma portuguesa, que tinha sofrido o mesmo contratempo numa viagem que tinha feito ao norte de Itália (tal como eu). Parece que o norte deste país foi invadido por uma praga de melgas-tigre (zanzare tigre), que têm riscas e mordem como os tigres. As picadas destas bestinhas perfuram a roupa, o que significa que estar tapado ou não estar é indiferente. O relato que ela fez sobre o resultado das picadas era em tudo semelhante ao meu fardo. As babas incham três vezes mais que as babas normais e em vez de uma ou duas picadas, são uma carrada delas espalhadas pelo corpo. E ainda com a agravante de fazer inchar os tornozelos, obrigando mesmo a idas ao hospital para injecção de cortisona. Com tanta informação, lá fiz o ritual matinal... colocar a pomada de cortisona em cima das babas e borrifar-me de repelente, que era extremamente tóxico. E, para além deste problema, ainda me doía um dente que foi intervencionado antes da viagem. Maldita hora que fui tirar uma cárie! Doía-me ao mastigar os alimentos e a beber liquídos gelados. A sorte é que a Joana é um anjo da guarda e lá me deu um analgésico (brufeno) para aligeirar a dor.

Antes de sair, dei uma olhadela ao quarto. Iria ter saudades daquele hotel, sem dúvida. Mas não ia ter saudades de Milão e nem do calor exarcebado e nem das melguinhas que me picaram. Mais uma vez, comi que nem um abade ao pequeno-almoço porque sabia que não iria ter fome durante muito tempo. Era o meu último majestoso pequeno-almoço e tinha de aproveitar até à última gota de cappucino.

Fomos para a Estação Central e lá partimos para Veneza - Santa Lúcia no comboio das 09:15h. Apesar de termos viajado na Trenitália, a viagem decorreu sem incidentes. Sim, as carruagens tinham todas ar-condicionado, que estava a funcionar que nem uma maravilha. Duas horas e vinte minutos depois, chegámos à estação de Veneza-Mestre, onde ficava o nosso hotel. Mestre é uma terreola que fica a 15 minutos de Veneza, na parte do continente. O hotel que nos iria receber ficava numa rua habitacional (Via Giorgio Rizzardi, Marghera), junto a uma fonte luminosa. Tinha a designação de Hotel Mondial (https://www.tripadvisor.pt/Hotel_Review-g194812-d237382-Reviews-Hotel_Mondial-Marghera_Veneto.html) e afirmava-se como um hotel de três estrelas. Por fora, parecia um edificio banal... por dentro, a recepção era muito iluminada, quase luxuosa. Chegámos antes do horário de check-in, por isso tivemos de esperar por um quarto. Ficámos sentadas nos sofás da recepção, cada uma concentrada no seu telemóvel. Passados alguns minutos, fomos chamadas pelo recepcionista para tratar do check-in. Tivemos de pagar 10 euros de taxa turística (o valor dependia da classificação do hotel). O quarto 116 esperava-nos.

Uau... as nossas expectativas foram pelo cano abaixo. Sabiamos que o hotel era fraco, apesar da excelente localização (dois minutos a pé da estação ferroviária), mas nunca pensei ficar num quarto tão minúsculo como este. A cama também não era muito grande, tapada com uma coberta roxa. Aliás, o quarto tinha tons de roxo e branco, o que transmitia uma certa melancolia. Só havia espaço para um pequeno móvel branco em frente à cama. Não havia armário, somente um courrier onde estavam alguns cabides. A televisão estava atarrachada à parede e, junto à janela, estava uma cadeira de plástico transparente. A casa-de-banho tinha a particularidade de ser mais pequena que o próprio quarto, com linhas simples. O poliban era extremamente pequeno para uma pessoa rechonchuda como eu. Pelo menos estava limpa. A má impressão continuou... a televisão tinha os cabos soltos e não transmitia uma imagem sequer e a cadeira estava partida. Deu-me vontade de dar uma gargalhada bem forte, mas o sitio não era merecedor disso. Por isso, fomos à descoberta de Veneza... pelo menos, era uma actividade mais interessante e o nosso maior objetivo.

Descemos à recepção para obtermos informações sobre a deslocação para Veneza. O recepcionista, prontamente, informou-nos que a 20 metros da porta do hotel havia uma paragem de autocarro, onde paravam as viaturas 6 e 6L que nos levariam a Veneza. Só que, como era Domingo, os autocarros não estavam a trabalhar, por isso tivemos de nos socorrer da estação ferroviária. 

Poucos minutos depois, estávamos em Veneza. Assim que saímos da estação, deparámo-nos com a bela e magnífica Igreja de San Simeon Piccolo, bem como a populosa Ponte Scalzi

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O céu estava meio coberto de nuvens, mas o sol despontava na sua força, trazendo o calor abafado dos dias anteriores. No entanto, sabia que estava previsto chover em Veneza, pelo que rezava para que isso acontecesse o mais depressa possível. Caminhamos pela Ponte Calatrava, meio envidraçada, em direcção à Piazzale Roma, a praça mais procurada pelos turistas. Aqui, situa-se o posto turistico (escondido numa garagem) e todos os transportes que facilitam a vida de qualquer turista quando o objetivo é conhecer a cidade. Muitas paragens de autocarros e de vaporettos (os ferries que circulam no Grande Canal e pelas ilhas).

Veneza podia se orgulhar de ser uma cidade singular. Apesar de sujeita às mais diversas intempérides devido à sua localização (nomeadamente inundações), Veneza sempre foi, desde os tempos antigos, uma cidade rica em arte e arquitectura (exemplo disso, os edificios da Praça de São Marcos). Napoleão conquistou-a em 1797. A cidade juntou-se ao reino de Itália em 1866, unindo o país inteiro pela primeira vez. Actualmente, é possível ver os antigos palácios de Veneza como museus, lojas e hotéis, mas o essencial permanece... ainda se vê muitos barcos de pescadores nos canais, pontes que aparecem rua sim, rua sim e as glórias do passado que aparecem em cada esquina.

Esta cidade divide-se em seis antigos distritos administrativos (sestieri): Cannaregio (onde comi a melhor refeição italiana de toda a viagem), Castello, San Marco (onde se encontra a famosa praça), Dorsoduro, San Polo e San Croce. A cidade pode ser admirada através de uma caminhada pelas ruas estreitas e históricas, bem como através do vaporetto n.º 1, que faz a viagem pelo Grande Canal, indo da Piazzale Roma até à Piazza San Marco. Ambas as maneiras são óptimas formas de conhecer uma cidade que merece um escrutínio demorado.

Fomos ao posto turistico que nos forneceu um mapa da cidade, indicando-nos um caminho turistico (em amarelo) pela cidade. De facto, o caminho era extremamente longo, mas iria valer a pena. Começámos o trajeto por uma rua próxima da praça dos autocarros. Ficámos admiravelmente surpreendidas que o caminho turistico que estava no mapa estava devidamente sinalizado nos edificios, tal como um qualquer trilho na floresta. Assim, era bem mais fácil chegar ao destino pretendido.

 

 

A primeira igreja que obsrvamos com algum pormenor em Veneza foi a Chiesa de San Rocco (Campo de San Rocco), que foi desenhada pelo escultor e arqitecto Bartolomeo Bon em 1489 e reconstruída em 1725. O seu exterior combina diversos estilos, sendo que a fachada foi feita entre 1765 e 1771. No interior da igreja, pode-se admirar pinturas de Tintoretto, relatando a vida de São Rocco.

Outra visão interessante que tivemos durante o trajecto foram os imensos canais, com pequenos barcos atracados, que se via praticamente em cada esquina, bem como as famosas gôndolas, o transporte mais utilizado pelos turistas românticos para navegar pelos mesmos e passar debaixo das pontes. O grande problema deste transporte é ser caro. Uma viagem de 40 minutos pelos canais custa 80 euros! Quer sejam dois, quatro ou seis pessoas a comprarem o serviço, o valor é sempre o mesmo. Assim não há bolsa que resista... pelo menos, as nossas. Contudo, é de longe o meio de transporte mais utilizado em Veneza. 

 

 

Depois de percorremos diversas ruas e pracetas, onde se poderia encontrar igrejas, conseguimos chegar à ponte mais famosa e lotada de pessoas de Veneza: Rialto. Digo lotada porque, para além de ser um sítio obrigatório para as fotografias da praxe, também era perfilada de lojas de ambos os lados, pelo que caminhar sobre ela era um enorme martírio. A sua designação provem das palavras rivo alto (que significa sítio alto) e foi uma das primeiras áreas de Veneza a ser habitada. Primeiro, um distrito financeiro e depois um mercado, Rialto tornou-se numa das zonas mais ocupadas e apreciadas pelo turistas. Esta ponte foi concluída em 1591 e até então era a única ponte onde se poderia atravessar o Grande Canal.

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Mas a grande atracção turística de Veneza é, sem dúvida, a Piazza San Marco. Ao longo da sua história, esta praça testemunhou atividades politicas, eventos de Carnaval, procissões, etc. Os turistas inundam este local para ver a Basilica di San Marco (que é um edificio de tirar o fôlego a qualquer um), o Palazzo Ducale e a Torre dell'Orologio. Para além destes edificios, também existem museus, lojas, restaurantes chiques com orquestras ao vivo, ao longo da praça em forma de rectângulo.

A Basilica di San Marco (http://www.basilicasanmarco.it/?lang=en) é considerado um dos maiores edificios da Europa, com um exterior de um encanto oriental, onde se podem ver cópias dos famosos cavalos de bronze vindos de Constantinopla em 1204, bem como colunas e mármores que dão um enorme colorido à fachada. 

 

 

O Palazzo Duccale (http://palazzoducale.visitmuve.it/) foi a residência oficial dos gonernantes de Veneza (uma espécie de Palácio de Belém) e foi fundada no Sec. IX. O atual edificio deve a sua aparência ao trabalho de construção feitos nos séculos XIV e XV.

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A Torre dell' Orologio é uma torre com relógio com uma bela decoração e foi construída no final do Séc. XV.  Mostra as fases da lua e os signos do zodíaco. Reza a lenda que, depois da conclusão do relógio, os dois inventores ficaram sem olhos por forma a que não se pudesse fazer outra réplica (creeeeeepy...). No nível mais alto, encontra-se o leão de São Marco, bem como duas figuras de bronze conhecidas por Mori, que tocam o sino à hora prevista.

 

 

Depois da visita obrigatória ao centro da praça, passeamos pela riva onde podemos ver os portos onde paravam os vaporettos e as gôndolas.

 

 

Começava a entardecer e o céu ia ficando carregado de nuvens, embora ainda despontasse alguma luz dourada do sol, conferindo à paisagem uma beleza ainda mais estonteante. O nosso jantar foi constituido de salgados italianos, à base de queijo, presunto, anchovas, cogumelos, entre outros, e ocorreu num pequeno bar numa das muitas ruas de Veneza. Quando chegamos novamente à estação ferroviária já estava a trovejar. Um espectáculo de rara beleza onde as pessoas encontravam-se na rua, à chuva, para conseguirem gravar o momento. Foi um final de dia extraordinário numa cidade extraordinária.

 

 

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 89-124.

 

 

 

Pesadelo em Verona

5 de agosto de 2017.

 

Este dia não prometia ser melhor que o anterior. Acordei com muita comichão nas pernas, cobertas com babas muito vermelhas e salientes. As minhas pernas estavam uma lástima... nem conseguia olhar para elas sem sentir frustração. Mesmo com doses de repelente e pomada (que só aliviavam por pouco tempo), continuava a sentir-me muito incomodada com a situação. Contudo, a vontade de passear por Verona sobrepôs-se ao mau estar e lá me arranjei para desfrutar o dia da melhor maneira possível.

O pequeno-almoço do hotel continuou a ser o ponto alto do dia... comi que nem uma rainha. Pelo menos passar fome, não passaria. E com o estômago bem atestado, lá nos dirigimos à Estação Central para iniciar a viagem de comboio até Verona, que custou a módica quantia de 25 euros (ida e volta). Mais uma vez, o comboio que nos transportou foi a Trenitália e o pior ainda estava para vir.

Embora esta viagem tivesse dividida por três regiões: Lombardia, Veneto e Toscânia, neste dia viajamos até à região de Veneto para visitar a histórica cidade de Verona, a tal que supostamente serviu de inspiração para Shakespeare escrever uma das suas obras-primas: "Romeu e Julieta". Esta cidade é a segunda maior desta região, atrás de Veneza, sendo uma das mais prósperas do Norte de Itália. O seu centro histórico revela magnificas ruínas romanas e tem duas atrações que chamam imediatamente a atenção: a Arena, datada do Sec. I, que ainda recebe eventos musicais durante todo o ano, bem como a Piazza Erbe com seu mercado colorido.

Assim que saímos da estação ferroviária de Verona, apanhamos o autocarro para visitar a Arena (http://www.arena.it/arena/en), situada na Piazza Brà. Provavelmente, um dos edificios mais grandiosos desta cidade. É o terceiro maior anfiteatro do mundo, a seguir ao Coliseu de Roma e o de Santa Maria Capua Vetere, próximo de Nápoles. Para se visitar a Arena, é necessário pagar 13 euros.

 

 

Seguimos por uma das vias principais em direcção ao centro histórico, Via Mazzini. Antes mesmo de continuarmos o passeio, fui a mais uma farmácia, onde comprei uma pomada de cortisona e anti-histamínico para minimizar a intensa comichão que sentia nas pernas. Cada vez que olhava para elas, só me apetecia chorar. As babas pareciam mais assanhadas e, além da comichão, comecei a sentir dor nos pés. O calor que se fazia sentir era extremamente insuportável, o que me fez beber água constantemente. Mesmo com estes contratempos físicos, prosseguimos com o passeio até ao próximo destino: a Casa di Giulietta, que fica na Via Cappello (https://casadigiulietta.comune.verona.it/nqcontent.cfm?a_id=42703).

A trágica história de Romeu e Julieta foi escrita por Luigi da Porto di Vicenza em 1520, tendo servido de inspiração para outras obras literárias, filmes e ballets. Reza a crónica que Romeu trepou o balcão da casa de Julieta, mas, na realidade, este edificio é uma pensão restorada do Séc. XIII. Os turistas inundam o espaço só para ver a fachada e o famoso balcão, para além da icónica estátua de Julieta, cuja "apalpadela" no seio direito supostamente traz sorte no campo amoroso. A Casa di Romeo fica numa outra rua, ViaArche Scaligeri. A chamada Tomba di Giulietta encontra-se numa cripta debaixo do claustro de São Francesco al Corso. Tanto a casa como a tomba encontram-se abertas diáriamente e paga-se a entrada. Pelo menos, a entrada para a casa custa 6 euros.

Provavelmente, o sitio com a maior enchente de turistas em Verona, a Casa di Giuletta resume-se a um pátio que facilmente fica congestionado de pessoas. Existe uma entrada para visitar a casa e aceder ao famoso balcão, mas ter que pagar 6 euros não valia o esforço. O túnel de entrada para o pátio estava repleto de mensagens amorosas e cadeados em forma de coração, conferindo ao local uma aura romântica. Mas o que realmente atraía as pessoas era a estátua da donzela Julieta, cujo seio direito era o alvo imediato das milhares de mãos estrangeiras que estavam naquele sitio. Apesar da dor contínua e cada vez mais intensa dos meus pés, fui rápida o suficiente para tirar as fotografias da praxe junto à estátua.

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Próxima da Casa di Giulietta, encontramos a Piazza Erbe (praça do mercado), cuja designação próvem do antigo mercado de ervas. É uma praça grande repleta de toldos por causa do mercado atual e dos restaurantes existentes. Na parte norte da praça encontra-se o barroco Palazzo Maffei, datado de 1668. Na parte oeste, encontra-se a Casa dei Mercanti, um edificio datado do Séc. XVII. À sua frente, é possivel observar os frescos, por cima dos cafés e restaurantes. No meio da praça existe um fontanário, quase tapado pelos toldos, que recorda a utilização do local como um mercado por mais de 2000 anos.

 

 

Próxima desta praça, situa-se a Piazza dei Signori, onde se encontra a estátua central de Dante, datada do Séx. XIX, cujo olhar se dirige para o Palazzo del Capitano, a anterior casa dos comandos de Verona. Por detrás da estátua, encontra-se a Loggia del Consiglio (a Casa do Conselho), cujo o topo é enfeitado com estátuas de algumas pessoas de renome de Verona. Também é possível ver nesta praça a Torre dei Lamberti, de 84 m. Esta praça conecta-se à Piazza Erbe pelo Arco della Costa, cuja designação provém da costela de uma baleia que, supostamente, esteve pendurada no mesmo nos últimos 1000 anos.

 

 

Descobrimos, a caminho da Piazza Duomo, a belissima Chiesa di Santa Maria Antica, datada do séc. XII. É uma igreja católico-romana dedicada ao Patriarca de Aquileia, tendo servido de capela privada para a familia Scaligeri, que governava Verona. É possivel ver, junto à porta lateral, o monumental arco de Cangrande I della Scala.

 

 

Já sentia muitas dificuldades em caminhar, quando chegámos à Piazza Duomo. Estava a suar em bica devido ao extremo calor que se fazia sentir, não havendo uma sombra que refrescasse por breves momentos. Apesar de ter as pernas tapadas, sentia o calor a passar pelo tecido leve das calças e a queimar as pernas. Elas estavam extremanente quentes e vermelhas. Para piorar o cenário, por si dantesco, das minhas pernas, deparei-me com os tornozelos inchados que se assemelhavam a dois troncos. O passeio estava a tornar-se num pesadelo para mim. Mas mesmo assim, derrotada pelo calor e pelas babas das melgas, lá consegui observar a Chiesa di San Nicolò (https://www.cittadiverona.it/guide/chiese/index.php), cuja fachada majestosa saltava à vista.

Esta catedral começou a ser construída em 1139, e a sua fachada contém um magnifico portal romano esculpido por Nicolò. 

 

 

Antes de chegarmos à Piazza Duomo, avistámos a Chiesa Sant'Anastasia (https://www.cittadiverona.it/guide/chiese/index.php), que se localiza na praça com o mesmo nome. Esta igreja começou a ser construída em 1290. O seu portal gótico contém frescos datados do Séc. XV e cenas da vida do mártir São Pedro gravadas.

 

 

Depois de ver tantas igrejas, foi agradável chegar à Ponte Pietra, uma das várias pontes que atravessava o Fiume Adige (o rio da cidade). Na outra margem, era possível observar na encosta o Teatro Romano, datado do Séc. I a.c. 

 

 

As lágrimas começaram a brotar dos meus olhos por causa dos meus pés inchados. Estava com extrema dificuldade em caminhar e em condições climatéricas tão secas. Precisava de sentar-me num sítio extremamente fresco, enquanto Joana iria visitar o Castelo Castelvecchio. Melhor sítio fresco para descansar... o posto turistico, em frente à Arena. Durante 30 minutos, senti-me no paraíso com o corpo mais arejado e com algum descanso nos pés.

O regresso a Milão iria demorar perto de duas horas. O comboio das quatro e tal da tarde não estava cheio. Pudera...com carruagens velhas, quem quereria viajar? Ninguém, exceto as portuguesas patêgas que queriam chegar a Milão o mais rapidamente possível. A nossa carruagem estava minimamente composta de gente, quando partiu. Atrevo-me a dizer que foi a pior viagem de comboio que alguma fiz na vida... não... houve uma viagem de comboio que fiz de Faro a Vila Real de Santo António há alguns anos atrás, que foi definitivamente a pior. Mas esta quase que a suplantou. A carruagem não tinha ar condicionado. Em pleno século XXI, isto era ridiculo. Mesmo com as janelas todas abertas, não entrava uma brisa fresca sequer. Os passageiros estavam a destilar suor por todo o lado. Como a Joana afirmou, e muito bem, parecia que estávamos numa câmara de gás a morrer lentamente. Como é possível que uma das maiores empresas ferroviárias de Itália permitia uma situação como esta? Bilhete caro e zero conforto. A partir daí, nunca mais viajámos na Trenitália e, desde já, recomendo a quem esteja a ler este texto para não fazê-lo.

O percurso da Estação Central até ao hotel pareceu-me extremamente demorado... talvez porque parecia um caracol, quase que rastejava pelo caminho. O nosso quarto parecia um santuário... imaculado e muito fresco. Um duche de água fresca serviu para relaxar o meu corpo totalmente derreado. Voltei a colocar a pomada de cortisonapara aliviar a dor. Pelo menos, a comichão tinha abrandado considerávelmente. Deitei-me na cama e, durante uma hora e meia, dormi o sono dos justos.

Eram 21:30h quando acordei. Ainda não tinhamos jantado. Vestimo-nos e fomos à receção solicitar recomendações de restaurantes perto do hotel. O gentil recepcionista, no seu inglês mais que perfeito, indicou-nos um restaurante nas imediações, chamado Alla Cadrega (https://www.facebook.com/la.cadrega/). Confesso que não estava com  muita fome, mas tinhamos de comer qualquer coisa. O restaurante, com uma decoração tipicamente italiana, estava ainda aberto e bem composto. As mesas estavam decoradas com tolhas axadrezadas de vermelho e branco.  Escolhi uma pizza com tomate e mozzarella, que por sinal era enorme, e bebi uma coca-cola zero. No final, paguei perto de 15 euros. Foi neste restaurante que descobri que tinhamos de pagar o coperto, uma taxa aplicada ao serviço de mesa de 2 euros. Como nos disse a empregada, a culpa é do Berlusconi.

 

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Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 146-149. 

Um passeio pelo Lago Como

4 de agosto de 2017.

Depois de uma chegada ligeiramente conturbada a Milão e de uma noite onde dormi que nem uma pedra, apesar da comichão nas pernas, acordei revigorada para mais uma descoberta por terras italianas. Já nem preciso de despertador para acordar...o meu relógio natural funciona muito bem. Até em férias, o meu corpo não consegue estar mais horas deitado na cama, do que aquelas necessárias para descansar. E claro, quanto mais cedo se começa o dia, mais se consegue aproveitá-lo. 

O comboio para Como partia às 08:10h da Estação Central, o que implicava acordar por volta das 06.30h e tomar o pequeno-almoço às 07:00h. Muitos se calhar não saíriam tão cedo da cama, mas para descobrir convenientemente um local é necessário fazê-lo com tempo e calma.

À hora marcada, eu e a Joana estávamos na sala do pequeno-almoço do hotel, preparadas para iniciar a refeição. O dito espaço tinha a particularidade de servir os hóspedes do hotel, bem como servir os habitantes milaneses como Clotilde Bistrot (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187849-d7899340-Reviews-Clotilde_Bistrot-Milan_Lombardy.html), uma pastelaria elegante e bem apetrechada de doces, cuja entrada se fazia do outro lado da esquina do hotel. Por isso era engraçado não só ver os hóspedes madrugadores a tomar o seu pequeno-almoço, bem como os milaneses que se preparavam para o seu trabalho diário.

O pequeno-almoço conferiu a este hotel mais uma nota positiva da nossa parte. Para além do espaço ser elegante, a mesa onde se encontrava o repasto alimentar era simplesmente fabulosa. Até dava para comer com os olhos... havia pão, cereais, leite, café, sumos, água, frutas, bruschettas, saladas, ovo cozido e mexido, salsichas, fiambre, presunto, queijos e diversa pastelaria, como croissants (com creme de ovos, chocolate, simples e com sementes), mini bolas de berlim, fatias de diversos bolos...os meus olhos perdiam-se no meio de tanta comida à disposição. Escusado será dizer que durante a nossa estadia neste hotel, desfrutamos deste pequeno-almoço da melhor maneira possivel. E ainda faziamos o nosso farnel para a viagem... mesmo à tuga. E podíamos pedir ao criado de mesa um cappuccino para finalizar a refeição. Não preciso de dizer que o cappucino que me chegava às mãos era tão perfeito como o pequeno-almoço, muito cremoso e suave... até me dava vontade de não bebê-lo para não estragar a obra de arte que estava na chávena.

Saímos do hotel com a barriga cheia, aconchegada e um enorme sorriso nos lábios. Isto é que era a vida... era isto que fazia compensar quase um ano de árduo trabalho, de irritações, de stress...  usufruir de um excelente pequeno-almoço na cosmopolita Milão e poder visitar as belas paisagens do Lago Como, o nosso próximo destino.

Antes mesmo de abordar este lago, é necessário falar da região da Lombardia, que se estende desde os Alpes, na fronteira com a Suiça, até aos lagos românticos de Como e Maggiore e ao vasto e plano Rio Po. É uma zona de villas à beira dos lagos com jardins decorados de azáleas, de cidades endinheiradas com palácios e igrejas extremanente decoradas, da indústria moderna, da agricultura a larga escala. É o coração financeiro de Itália, com o seu centro em Milão, a sua capital cosmopolita.

Mas o nosso destino era o famoso Lago Como, local onde celebridades mundiais como George Clooney e José Mourinho possuíam as suas villas. Este lago situa-se numa ídilica paisagem de montanhas e encostas acidentadas, e tem atraído muitos turistas ao longo dos séculos, que querem passear de barco, fazer caminhadas pelas colinas, relaxar por alguns momentos e encontrar inspiração pessoal. O próprio lago, pelo que pude constatar, envolve as pessoas numa tranquilidade quase misteriosa. O seu longo e estreito formato, como uma fúrcula devido a uma erosão glaciar, oferece uma visão encantadora dos Alpes a norte, bem como de Como e Lecco a sul.

A estação ferroviária fica no ponto mais alto de Como, uma cidade charmosa e principesca, que encanta ao primeiro olhar. A primeira paragem deste passeio ocorre num enorme jardim, à beira do lago, chamado Amici di Como. Neste espaço verde localiza-se o Tempio Voltiano, onde se pode fazer uma viagem sobre a ciência. A sua designação é dedicada ao físico Alessandro Volta, responsável pela invenção da pilha.

 

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Passava um pouco das 9 horas e o jardim já estava composto de pessoas, quer locais, quer turistas. Junto ao lago, existiam sombras que aligeiravam o calor abrasador que já se sentia. As pessoas sentavam-se despreocupadamente na relva, nos bancos de jardim, bem como banhavam-se na água plácida do lago. De facto, a visão que o lago proporcionava era de se tirar o fôlego... o sol brilhava no lago, o céu estava isento de nuvens, conferindo à paisagem uma beleza quase éterea. Sen dúvida, eu estava num pequeno paraíso na Terra.

 

  

Comecei a sentir comichão nas pernas, mas não liguei muito à situação. Queríamos aproveitar ao máximo a cidade, pelo que resolvemos caminhar pelo calçadão à beira do lago e chegámos à Piazza Cavour, um pequeno rectângulo com edificios elegantes, que ficava próximo da Piazza Duomo. Nesta praça, situa-se a Cattedrale di Como, ou Cattedrale di Santa Maria Assunta, um templo católico que é a sede da Diocése de Como. É o edifício religioso mais importante da cidade e um dos mais conhecidos da zona do Lago de Como.

Descrita como uma catedral do estilo gótico, a sua contrução começou em 1396, sob a supervisão de Lorenzo degli Spazzi di Laino, tendo sido concluída em 1770 com a construção da cúpula, desenhada pelo arquitecto Filippo Juvara. O edifício tem 87 m de largura, entre 36 a 56 m de comprimento e 75 m na parte mais alta da cúpula (http://www.cattedraledicomo.it/index.php/it/).

 

 

De seguida, dirigimo-nos à Piazza Giuseppe Verdi, onde se localiza o Teatro Sociale, desenhado pelo Arquitecto Giuseppe Cusi por ordem da nobreza local, que queria construir um novo edifício para substituir o existente, visto como antiquado. Foi escolhido o local de um castelo medieval em ruínas, Torre Rotonda, e a Societá dei Palchettisti foi criada para financiar a sua construção (http://www.teatrosocialecomo.it/). A sua construção iniciou-se em 1812, com uma fachada neo-clássica, mas devido a um inverno rigoroso, não pôde ser finalizada no mesmo ano. Foi concluída somente no Verão de 1813.

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Enquanto observávamos o edificio debaixo de uma torrente de sol forte, fomos brindadas com a melodia de Verdi, que saía pelas janelas abertas do teatro e que ecoava por toda a praça. Sentei-me nas escadarias do edifício, onde a sombra possibilitava-me um pouco de frescura. A comichão nas pernas aumentava consideralvemente e começaram a aparecer babas enormes, vermelhas e que estavam assanhadas por causa do intenso calor. Foi assim que o pesadelo começou...

Continuámos a nossa visita pela cidade e deparámo-nos com a Piazza San Fedele, uma pequena cidade pitoresca dentro de Como, onde antes existira o mercado.  Nesta praça, situa-se a Basilica di San Fedele, dedicada ao mártir São Fedele. De origem romana, data de 1120. A sua restauração em 1914, alterou a fachada e a torre do sino.

 

 

O seu interior é magnânimo, com três naves e três presbitérios, cobertos por uma cúpula e rodeados de um ambulatório. Ao longo destes ambulatório, poderia observar-se frescos medievais.

 

 

A própria praça é digna de apreciação, com edifícios pitorescos e cores garridas, que se sobressaíam com o sol. A basílica pode ser o edifício que mais chama a atenção, mas a tranquilidade que paira na praça, com as ruas adjacentes e estreitas em redor, também contribuem para a beleza da mesma.

 

 

A caminhada pelas ruas estreitas e encantadoras de Como proporcionou a observação da Mura di Como, um muro medieval que cerca três lados do centro da cidade e que ainda se encontra bem preservado. Foi construído por Giulio Cesare na primeira metade do Séc. I a.c. e tinha como objetivo ser uma estrutura defensiva complexa, que cobria o acesso a Milão e ao vale do Pó dos Alpes Centrais. Neste muro, fazem parte as antigas portas de entrada para Como, Porta di Como Romana e a Porta Torre.

Porta di Como Romana foi a principal porta de entrada romana para Como, conhecida como Porta Pretoria, tendo sido local de passagem daqueles que queriam chegar a Milão. Esta entrada foi descoberta em 1914 durante a construção de um edifício na mesma  zona, sendo visitada atualmente por muitos turistas.

Porta Torre é um dos exemplos mais interessantes da arquitectura militar romana em Itália. Tem uma aparência maciça do lado de fora, enquanto que no lado da cidade é iluminada por quatro fileiras de arcos. Em cada extremo do muro, encontram-se a Torre San Vitale (lado esquerdo) e a Torre Gattoni (lado direito).

 

Adeus Portugal... Buon giorno, Milano

3 de Agosto de 2017.

Eu e a minha companheira de viagem, Joana, chegamos ao Aeroporto da Portela por volta das 07:30h. A partida para Itália estava marcada para as 09:05h através de um vôo pela TAP, reservado e pago com alguns meses de antecedência (regra n.º 1: poupança de dinheiro em viagens longas). 

O check-in foi rápido e sem incidentes (os bilhetes de avião estavam guardados na wallet do meu Iphone), o que nos permitiu avançar logo para a revista das bagagens (regra n.º 2: poupança de tempo no aeroporto quando se faz o check-in online).

Assim que entrei no avião que nos transportaria para Itália, senti as batidas do meu coração... talvez a excitação de uma nova descoberta ou a ansiedade normal de quem viaja de avião, quem sabe? Até poderiam ser as duas sensações juntas que estavam a acelerar o meu lento coração. Confesso que a insegurança registada em vários países da Europa, devido aos diversos atentados terroristas em grandes cidades turisticas, também mexia com os meus nervos. Viajar é cada vez mais um risco que se corre, apesar de todas as experiências memoráveis que esse acto pode trazer. Contudo, a escolha é fácil...entre gozar as férias de Verão no país onde resido ou gozar numa cidade de um país diferente, prefiro sempre a segunda opção. Para mim, viajar é uma enorme limpeza da alma, o corpo fica energizado e a oportunidade de viver novas experiências é gratificante. 

O avião descolou no horário previsto e o vôo decorreu normalmente, sem incidentes. A TAP tem vindo a melhorar os seus serviços desde 2014 (ano em que viajei para a Grécia e tive de esperar três horas no aeroporto de Milão para regressar a Lisboa), pelo que nada havia a apontar a esta companhia. E perguntam vocês: porquê iniciar a viagem por Milão? Muito simples...os bilhetes para esta cidade foram extremamente baratos (porque foram comprados com muita antecedência). Por isso, resolvemos fazer de Milão o nosso destino de vôo de partida e chegada para Lisboa.

Assim que chegamos ao Aeroporto de Malpensa (que fica a 50 kms de Milão), fomos invadidas por um intenso calor. O edificio do aeroporto estava fresco, mas o calor sentido previa que a primeira paragem desta viagem italiana seria insuportável...mas isso fica para mais tarde. 

Escolhemos o comboio como meio de transporte para chegarmos a Milão. Cada uma arrastou a sua bagagem até ao local de onde partiam os comboios. A companhia era a Trenitália (http://www.trenitalia.com/) e o bilhete custou-nos 13 euros. A viagem decorreu normalmente, e, embora houvesse ar condicionado nas carruagens do comboio, o  calor sentia-se e eu já estava a ficar suada.

Assim que chegamos à gigantesca Estação Central de Milão, fomos imediatamente comprar os bilhetes de comboio para o Lago Como e para Veneza no serviço de cliente da Trenitália. Esta empresa de transportes ferroviários não é a melhor deste país... aliás, até é bem fraca comparativamente com a Frecciarossa e a Italo (a melhor de todas). Carruagens velhas e sem ar condicionado são alguma das críticas mais evidentes a apontar, para além da falta de pontualidade dos comboios e do preço exorbitante dos bilhetes. Este serviço da Trenitália na Estação Central de Milão estava congestionado de turistas que também estavam como nós... às aranhas! Um funcionário encontrava-se em frente aos balcões de atendimento, entregando senhas de chegada às pessoas, assim que chegavam.

Aproveitamos a enorme fila para os diversos balcões de atendimento e fomos comprar o bilhete para o Lago Como, que seria o nosso primeiro "bate-volta" em Itália. A viagem seria feita no dia seguinte e custou-nos, se bem me lembro, perto de 10 euros (ida e volta). De seguida, voltámos à enorme fila com o intuito de comprar o bilhete para Veneza. Apesar de existirem máquinas de venda de bilhetes das três empresas ferroviárias já mencionadas (que também estavam congestionadas de turistas) por toda a estação, preferimos, achávamos nós, comprar o bilhete no balcão da Trenitália. Há medida que esta viagem foi progredindo, concluimos que compensava mais comprar nas máquinas. 

O funcionário da Trenitália que nos vendeu os bilhetes ao balcão era a versão italiana de um típico funcionário de um qualquer serviço das Finanças em Portugal... em final de carreira, cansado e rabugento. Apesar de ter ficado agradavelmente surpreendida com a simpatia inata do povo italiano, esta primeira interacção foi um autêntico pesadelo. O meu italiano era extremamente básico... só sabia dizer buon giorno e grazie mille. O inglês do funcionário era extremamente pobre, pelo que o nosso entendimento era muito complicado. Para além do problema da linguagem, o dito senhor também se contradizia nas informações que nos prestava... atrevo-me a dizer que ele queria nos passar um atestado de estupidez e isso despoletou a minha impaciência e raiva. Por fim, conseguimos comprar o bilhete para Veneza, que custou a módica quantia de 45 euros...o primeiro roubo em Itália. Viemos a constatar que a viagem não valia tanto dinheiro.

Saímos da estação e fomos abraçadas por um calor intenso e abafado e ainda tinhamos que encontrar o hotel. Felizmente a nossa procura foi curta e, vinte minutos depois, conseguimos chegar ao Hotel Windsor Milano (https://www.booking.com/hotel/it/windsor.pt-pt.html), que ficava na Via Galileo, numa esquina, em pleno coração financeiro de Milão. Nas redondezas, encontravam-se diversos arranha-céus espelhados e modernos, que contrastavam com algums edificios históricos. Este hotel ficava bastante perto da Piazza della Republica, onde se situava a linha amarela do Metro que nos levava à Piazza del Duomo (o centro histórico e muito turistico de Milão). Também existia uma paragem de eléctrico em frente ao hotel que tinha ligação com o centro histórico. Concluindo, o nosso alojamento em Milão não poderia ter sido melhor. O hotel, de quatro estrelas, tinha uma receção charmosa e o nosso atendimento foi simpático e prestável. Ficámos instaladas no quinto andar num quarto maravilhoso.   

 

Imperavam as cores sóbrias do pastel, do cinza e do azul escuro, numa combinação clássica e subtil que nos transmitia tranquilidade. O quarto era grande, com duas camas separadas, uma pequena mesa e duas cadeiras, um armário e um móvel em frente às camas, onde se encontrava a televisão. A casa de banho era moderna, iluminada e limpa... quase luxuosa. O wi-fi gratuito era bom e o mini bar, com garrafas de água e refrigerantes, também era gratuito. O ar fresco que saía do ar condicionado era muito bem-vindo. Aproveitei para beber uma garrafa de água gelada do mini bar e deitei-me na cama imaculada para descansar. Continuava a suar em bica e o meu corpo precisava de descanso. 

Joana encontrava-se deitada, entretida a ver o mapa da cidade. Estávamos ansiosas para ver o centro histórico da cidade, mas também queriamos ganhar forças para voltar a enfrentar o calor abrasador. Outro local que queriamos visitar era Naviglio Grande, onde se encontrava a Ripa di Porta Ticinese, um pequeno bairro pitoresco com canais e pontes, parecido com Veneza, e que tinha sido aconselhado por um amigo italiano de Joana.

Para evitar o calor insuportável que imperava nas ruas, resolvemos apanhar o metro na linha amarela da Piazza della República, que ficava muito perto do hotel. Esta estação também era uma estação de comboios, pelo que demoramos algum tempo para encontrar o metro. Cada bilhete custava 1,50€ e lá fomos para a estação de Duomo, a nossa primeira paragem obrigatória para visitar a cidade.

Milão é um autêntico centro da moda e dos negócios, sendo uma cidade muito urbana e, essencialmente financeira. Mais do que atractiva, é uma cidade inteligente, bem afortunada e extremamente cara. A sua designação provém de duas palavras latinas: medio planum, que significam no meio do plano. Tornou-se num enorme centro de trocas e de rotas transalpinas e um prémio para as dinastias italianas mais poderosas. Milão, na minha perspetiva, é uma cidade cosmopolita, com alguns toques históricos, mas onde impera o estilo e a imagem. Tirando o centro histórico, não é uma cidade de se tirar o fôlego.

Assim que saímos da estação de metro, fomos atingidas pela grandiosidade da Piazza del Duomo (http://www.duomomilano.it/en/section/visit-the-duomo/dcffa929-1d39-41db-818c-c19c1d8a0d84/), um enorme rectângulo onde se encaixa numa perfeita harmonia a Catedral, a gloriosa Galeria Vittorio Emanuelle II e o Palazzo Reale, que alberga o Museo della Reggia.

A Catedral de Milão é uma das maiores igrejas góticas do mundo. A sua construção data do séc. XIV, graças ao Princípe Gian Galeazzo Visconti, embora só tenha sido finalizada 500 anos depois. A fachada espelha uma mistura de estilos interessante, desde o gótico, passando pelo Renascentismo e pelo Neo-Clássico. Em suma, é um portento para os olhos. Para entrar neste edificio, bem como no Palazzo Reale, é necessário pagar 6 euros. 

 

 

A Galeria Vittorio Emanuelle II também não fica atrás na grandiosidade. Sendo a porta para a Piazza del Duomo e para a Piazza della Scala, também funciona como um luxuossímo centro comercial, onde se encontra o chamado Quadrilátero da Moda, onde diversas marcas têm a sua loja. Este edificio é conhecido como Il Salotto de Milano (a sala de desenho de Milão) e foi desenhado pelo Arquitecto Giuseppe Mengoni em 1865, tendo sido inaugurado em 1877. É um edificio que alberga diversas lojas, cafés e restaurante chiques (Gucci, a Gelataria Amorino e o Savini, um dos restaurantes mais históricos de Milão).

 

 

O chão desta Galeria tem a forma de uma cruz latina, com um centro octagonal adornado de mosaicos representando quatro continentes: Europa, América, África e Ásia, juntamente com outros que representam a Arte, Agricultura, Ciência e Indústria. O telhado é feito de metal e vidro, coroado com uma magnífica cúpula central. Foi o primeiro edificio em Itália a utilizar o metal e o vidro como estrutura e não como decoração.

 

 

O Palazzo Real, atual Museo della Reggia (http://www.museodelnovecento.org/it/), completa o luxuoso triunvirato desta praça. Antiga residência de vários governantes de Milão, este edificio alberga exibições de arte temporárias e outros eventos. 

 

 

O Teatro alla Scala (http://www.teatroallascala.org/en/index.html), localizado na Piazza della Scala, foi inaugurado em 1778 e é uma das mais prestigiadas casas de ópera do mundo. Tem um dos maiores palcos da Europa, onde recebe produções sumptuosas. Também alberga o Museo Teatrale, onde estão expostos os cenários e roupas de antigas produções, bem como objetos teatrais que datam do tempo romano.

 

 

Depois de visitada a praça mais turística de Milão, resolvemos caminhar pela Via Dante (uma espécie de Avenida da Liberdade), que nos conduziu ao Castelo Sforzesco (https://www.milanocastello.it/), imponente e com uma lindíssima fonte que jorrava água de uma forma espectacular. O sol começava a desaparecer no horizonte, o que tornava o cenário ainda mais esplendoroso.

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Este castelo renascentista foi construido a mando do governante Francesco Sforza, no mesmo local onde tinha sido edificado outro castelo pela familia Visconti, tendo sido demolido no séc. XV.

Depois de refrescar os pés na fonte mesmo frente à entrada do palácio, lá fomos à descoberta do mesmo, mas para nossa surpresa, o mesmo já se encontrava encerrado para visitas. Só visitamos alguns pátios exteriores do castelo, que eram vastos. 

 

 

Pelo interior do castelo, poderiamos acessar ao Parco Sempione, uma enorme zona verde onde despontava um lago, onde se poderia ver patos e tartarugas. Uma delas até se aproximou da Joana, mas fugiu logo de seguida. Apesar de ser vasto e frequentado por muita gente, não me senti segura porque presenciei algum tráfego de drogas em pleno parque. A minha vontade de passear desvaneceu, pelo que resolvemos sair o mais depressa possível do local.
 

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Dirigimo-nos à estação de metro de Cadorna, muito perto do castelo, onde iriamos apanhar a linha verde até ao bairro de Naviglio Grande, mais concretamente à Ripa di Porta Ticinese, onde se encontrava alguns canais, que se assemelhavam a Veneza. Nem imaginávamos que iria tornar-se numa dolorosa experiência.

Parámos no local para beber um aperitivo e comer um buffet livre, tudo pela módica quantia de 10 euros, num bar chamado Village Café (https://www.facebook.com/Villagecafenavigli/?hc_ref=ARRgjSKHtnjahuzCArlcd6M9FLGpE4l2Oi6r-Cy2WYP55mdWL1Vttpk8ZUoCIRA9K1o&pnref=story), mesmo junto a um dos canais.

Pedi uma caipirinha e comi alguns salgados quentes e frios, com massa e salada. Era moda em Itália ir a alguns bairros e beber um aperitivo, acompanhado de um buffet livre, ao final da tarde. É barato e não se come mal.

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Contudo, e como estava junto ao canal, senti imensas melgas no ar, o que me impedia de desfrutar do jantar. Finalizado o mesmo, passeamos um pouco pelos canais, com diversos bares e restaurantes em cada margem, mas o calor que ainda se fazia sentir e as melgas que andavam no ar não ajudavam a caminhar. 

Depois de um dia agitado, com a viagem  e o passeio pelo centro histórico de Milão, chegámos ao hotel cansadas, mas realizadas. Um duche fresco antes de dormir ajudou a relaxar o meu corpo cansado. Mais uma coisa que comecei a fazer nesta viagem...tomar um poderoso duche fresco antes de dormir, é mesmo remédio santo para o corpo e mente. Mas o pior ainda estava para vir...

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 196-198.

2017...ano de todas as mudanças

Bem vindo(a) ao blog "Viagens sem Fronteiras", com uma nova imagem e com novas aventuras que merecem ser relatadas.

 

Depois do interesse revelado por diversos visitantes deste pequeno espaço digital, em querer saber um pouco mais sobre as viagens que eu tenho a sorte e engenho de fazer anualmente, resolvi contar ao mundo as minhas experiências de viagem.

 

Espero que gostem destas viagens sem fronteiras...e que vos faça viajar por esse mundo fora!