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Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Pesadelo em Verona

5 de agosto de 2017.

 

Este dia não prometia ser melhor que o anterior. Acordei com muita comichão nas pernas, cobertas com babas muito vermelhas e salientes. As minhas pernas estavam uma lástima... nem conseguia olhar para elas sem sentir frustração. Mesmo com doses de repelente e pomada (que só aliviavam por pouco tempo), continuava a sentir-me muito incomodada com a situação. Contudo, a vontade de passear por Verona sobrepôs-se ao mau estar e lá me arranjei para desfrutar o dia da melhor maneira possível.

O pequeno-almoço do hotel continuou a ser o ponto alto do dia... comi que nem uma rainha. Pelo menos passar fome, não passaria. E com o estômago bem atestado, lá nos dirigimos à Estação Central para iniciar a viagem de comboio até Verona, que custou a módica quantia de 25 euros (ida e volta). Mais uma vez, o comboio que nos transportou foi a Trenitália e o pior ainda estava para vir.

Embora esta viagem tivesse dividida por três regiões: Lombardia, Veneto e Toscânia, neste dia viajamos até à região de Veneto para visitar a histórica cidade de Verona, a tal que supostamente serviu de inspiração para Shakespeare escrever uma das suas obras-primas: "Romeu e Julieta". Esta cidade é a segunda maior desta região, atrás de Veneza, sendo uma das mais prósperas do Norte de Itália. O seu centro histórico revela magnificas ruínas romanas e tem duas atrações que chamam imediatamente a atenção: a Arena, datada do Sec. I, que ainda recebe eventos musicais durante todo o ano, bem como a Piazza Erbe com seu mercado colorido.

Assim que saímos da estação ferroviária de Verona, apanhamos o autocarro para visitar a Arena (http://www.arena.it/arena/en), situada na Piazza Brà. Provavelmente, um dos edificios mais grandiosos desta cidade. É o terceiro maior anfiteatro do mundo, a seguir ao Coliseu de Roma e o de Santa Maria Capua Vetere, próximo de Nápoles. Para se visitar a Arena, é necessário pagar 13 euros.

 

 

Seguimos por uma das vias principais em direcção ao centro histórico, Via Mazzini. Antes mesmo de continuarmos o passeio, fui a mais uma farmácia, onde comprei uma pomada de cortisona e anti-histamínico para minimizar a intensa comichão que sentia nas pernas. Cada vez que olhava para elas, só me apetecia chorar. As babas pareciam mais assanhadas e, além da comichão, comecei a sentir dor nos pés. O calor que se fazia sentir era extremamente insuportável, o que me fez beber água constantemente. Mesmo com estes contratempos físicos, prosseguimos com o passeio até ao próximo destino: a Casa di Giulietta, que fica na Via Cappello (https://casadigiulietta.comune.verona.it/nqcontent.cfm?a_id=42703).

A trágica história de Romeu e Julieta foi escrita por Luigi da Porto di Vicenza em 1520, tendo servido de inspiração para outras obras literárias, filmes e ballets. Reza a crónica que Romeu trepou o balcão da casa de Julieta, mas, na realidade, este edificio é uma pensão restorada do Séc. XIII. Os turistas inundam o espaço só para ver a fachada e o famoso balcão, para além da icónica estátua de Julieta, cuja "apalpadela" no seio direito supostamente traz sorte no campo amoroso. A Casa di Romeo fica numa outra rua, ViaArche Scaligeri. A chamada Tomba di Giulietta encontra-se numa cripta debaixo do claustro de São Francesco al Corso. Tanto a casa como a tomba encontram-se abertas diáriamente e paga-se a entrada. Pelo menos, a entrada para a casa custa 6 euros.

Provavelmente, o sitio com a maior enchente de turistas em Verona, a Casa di Giuletta resume-se a um pátio que facilmente fica congestionado de pessoas. Existe uma entrada para visitar a casa e aceder ao famoso balcão, mas ter que pagar 6 euros não valia o esforço. O túnel de entrada para o pátio estava repleto de mensagens amorosas e cadeados em forma de coração, conferindo ao local uma aura romântica. Mas o que realmente atraía as pessoas era a estátua da donzela Julieta, cujo seio direito era o alvo imediato das milhares de mãos estrangeiras que estavam naquele sitio. Apesar da dor contínua e cada vez mais intensa dos meus pés, fui rápida o suficiente para tirar as fotografias da praxe junto à estátua.

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Próxima da Casa di Giulietta, encontramos a Piazza Erbe (praça do mercado), cuja designação próvem do antigo mercado de ervas. É uma praça grande repleta de toldos por causa do mercado atual e dos restaurantes existentes. Na parte norte da praça encontra-se o barroco Palazzo Maffei, datado de 1668. Na parte oeste, encontra-se a Casa dei Mercanti, um edificio datado do Séc. XVII. À sua frente, é possivel observar os frescos, por cima dos cafés e restaurantes. No meio da praça existe um fontanário, quase tapado pelos toldos, que recorda a utilização do local como um mercado por mais de 2000 anos.

 

 

Próxima desta praça, situa-se a Piazza dei Signori, onde se encontra a estátua central de Dante, datada do Séx. XIX, cujo olhar se dirige para o Palazzo del Capitano, a anterior casa dos comandos de Verona. Por detrás da estátua, encontra-se a Loggia del Consiglio (a Casa do Conselho), cujo o topo é enfeitado com estátuas de algumas pessoas de renome de Verona. Também é possível ver nesta praça a Torre dei Lamberti, de 84 m. Esta praça conecta-se à Piazza Erbe pelo Arco della Costa, cuja designação provém da costela de uma baleia que, supostamente, esteve pendurada no mesmo nos últimos 1000 anos.

 

 

Descobrimos, a caminho da Piazza Duomo, a belissima Chiesa di Santa Maria Antica, datada do séc. XII. É uma igreja católico-romana dedicada ao Patriarca de Aquileia, tendo servido de capela privada para a familia Scaligeri, que governava Verona. É possivel ver, junto à porta lateral, o monumental arco de Cangrande I della Scala.

 

 

Já sentia muitas dificuldades em caminhar, quando chegámos à Piazza Duomo. Estava a suar em bica devido ao extremo calor que se fazia sentir, não havendo uma sombra que refrescasse por breves momentos. Apesar de ter as pernas tapadas, sentia o calor a passar pelo tecido leve das calças e a queimar as pernas. Elas estavam extremanente quentes e vermelhas. Para piorar o cenário, por si dantesco, das minhas pernas, deparei-me com os tornozelos inchados que se assemelhavam a dois troncos. O passeio estava a tornar-se num pesadelo para mim. Mas mesmo assim, derrotada pelo calor e pelas babas das melgas, lá consegui observar a Chiesa di San Nicolò (https://www.cittadiverona.it/guide/chiese/index.php), cuja fachada majestosa saltava à vista.

Esta catedral começou a ser construída em 1139, e a sua fachada contém um magnifico portal romano esculpido por Nicolò. 

 

 

Antes de chegarmos à Piazza Duomo, avistámos a Chiesa Sant'Anastasia (https://www.cittadiverona.it/guide/chiese/index.php), que se localiza na praça com o mesmo nome. Esta igreja começou a ser construída em 1290. O seu portal gótico contém frescos datados do Séc. XV e cenas da vida do mártir São Pedro gravadas.

 

 

Depois de ver tantas igrejas, foi agradável chegar à Ponte Pietra, uma das várias pontes que atravessava o Fiume Adige (o rio da cidade). Na outra margem, era possível observar na encosta o Teatro Romano, datado do Séc. I a.c. 

 

 

As lágrimas começaram a brotar dos meus olhos por causa dos meus pés inchados. Estava com extrema dificuldade em caminhar e em condições climatéricas tão secas. Precisava de sentar-me num sítio extremamente fresco, enquanto Joana iria visitar o Castelo Castelvecchio. Melhor sítio fresco para descansar... o posto turistico, em frente à Arena. Durante 30 minutos, senti-me no paraíso com o corpo mais arejado e com algum descanso nos pés.

O regresso a Milão iria demorar perto de duas horas. O comboio das quatro e tal da tarde não estava cheio. Pudera...com carruagens velhas, quem quereria viajar? Ninguém, exceto as portuguesas patêgas que queriam chegar a Milão o mais rapidamente possível. A nossa carruagem estava minimamente composta de gente, quando partiu. Atrevo-me a dizer que foi a pior viagem de comboio que alguma fiz na vida... não... houve uma viagem de comboio que fiz de Faro a Vila Real de Santo António há alguns anos atrás, que foi definitivamente a pior. Mas esta quase que a suplantou. A carruagem não tinha ar condicionado. Em pleno século XXI, isto era ridiculo. Mesmo com as janelas todas abertas, não entrava uma brisa fresca sequer. Os passageiros estavam a destilar suor por todo o lado. Como a Joana afirmou, e muito bem, parecia que estávamos numa câmara de gás a morrer lentamente. Como é possível que uma das maiores empresas ferroviárias de Itália permitia uma situação como esta? Bilhete caro e zero conforto. A partir daí, nunca mais viajámos na Trenitália e, desde já, recomendo a quem esteja a ler este texto para não fazê-lo.

O percurso da Estação Central até ao hotel pareceu-me extremamente demorado... talvez porque parecia um caracol, quase que rastejava pelo caminho. O nosso quarto parecia um santuário... imaculado e muito fresco. Um duche de água fresca serviu para relaxar o meu corpo totalmente derreado. Voltei a colocar a pomada de cortisonapara aliviar a dor. Pelo menos, a comichão tinha abrandado considerávelmente. Deitei-me na cama e, durante uma hora e meia, dormi o sono dos justos.

Eram 21:30h quando acordei. Ainda não tinhamos jantado. Vestimo-nos e fomos à receção solicitar recomendações de restaurantes perto do hotel. O gentil recepcionista, no seu inglês mais que perfeito, indicou-nos um restaurante nas imediações, chamado Alla Cadrega (https://www.facebook.com/la.cadrega/). Confesso que não estava com  muita fome, mas tinhamos de comer qualquer coisa. O restaurante, com uma decoração tipicamente italiana, estava ainda aberto e bem composto. As mesas estavam decoradas com tolhas axadrezadas de vermelho e branco.  Escolhi uma pizza com tomate e mozzarella, que por sinal era enorme, e bebi uma coca-cola zero. No final, paguei perto de 15 euros. Foi neste restaurante que descobri que tinhamos de pagar o coperto, uma taxa aplicada ao serviço de mesa de 2 euros. Como nos disse a empregada, a culpa é do Berlusconi.

 

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Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 146-149. 

Um passeio pelo Lago Como

4 de agosto de 2017.

Depois de uma chegada ligeiramente conturbada a Milão e de uma noite onde dormi que nem uma pedra, apesar da comichão nas pernas, acordei revigorada para mais uma descoberta por terras italianas. Já nem preciso de despertador para acordar...o meu relógio natural funciona muito bem. Até em férias, o meu corpo não consegue estar mais horas deitado na cama, do que aquelas necessárias para descansar. E claro, quanto mais cedo se começa o dia, mais se consegue aproveitá-lo. 

O comboio para Como partia às 08:10h da Estação Central, o que implicava acordar por volta das 06.30h e tomar o pequeno-almoço às 07:00h. Muitos se calhar não saíriam tão cedo da cama, mas para descobrir convenientemente um local é necessário fazê-lo com tempo e calma.

À hora marcada, eu e a Joana estávamos na sala do pequeno-almoço do hotel, preparadas para iniciar a refeição. O dito espaço tinha a particularidade de servir os hóspedes do hotel, bem como servir os habitantes milaneses como Clotilde Bistrot (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187849-d7899340-Reviews-Clotilde_Bistrot-Milan_Lombardy.html), uma pastelaria elegante e bem apetrechada de doces, cuja entrada se fazia do outro lado da esquina do hotel. Por isso era engraçado não só ver os hóspedes madrugadores a tomar o seu pequeno-almoço, bem como os milaneses que se preparavam para o seu trabalho diário.

O pequeno-almoço conferiu a este hotel mais uma nota positiva da nossa parte. Para além do espaço ser elegante, a mesa onde se encontrava o repasto alimentar era simplesmente fabulosa. Até dava para comer com os olhos... havia pão, cereais, leite, café, sumos, água, frutas, bruschettas, saladas, ovo cozido e mexido, salsichas, fiambre, presunto, queijos e diversa pastelaria, como croissants (com creme de ovos, chocolate, simples e com sementes), mini bolas de berlim, fatias de diversos bolos...os meus olhos perdiam-se no meio de tanta comida à disposição. Escusado será dizer que durante a nossa estadia neste hotel, desfrutamos deste pequeno-almoço da melhor maneira possivel. E ainda faziamos o nosso farnel para a viagem... mesmo à tuga. E podíamos pedir ao criado de mesa um cappuccino para finalizar a refeição. Não preciso de dizer que o cappucino que me chegava às mãos era tão perfeito como o pequeno-almoço, muito cremoso e suave... até me dava vontade de não bebê-lo para não estragar a obra de arte que estava na chávena.

Saímos do hotel com a barriga cheia, aconchegada e um enorme sorriso nos lábios. Isto é que era a vida... era isto que fazia compensar quase um ano de árduo trabalho, de irritações, de stress...  usufruir de um excelente pequeno-almoço na cosmopolita Milão e poder visitar as belas paisagens do Lago Como, o nosso próximo destino.

Antes mesmo de abordar este lago, é necessário falar da região da Lombardia, que se estende desde os Alpes, na fronteira com a Suiça, até aos lagos românticos de Como e Maggiore e ao vasto e plano Rio Po. É uma zona de villas à beira dos lagos com jardins decorados de azáleas, de cidades endinheiradas com palácios e igrejas extremanente decoradas, da indústria moderna, da agricultura a larga escala. É o coração financeiro de Itália, com o seu centro em Milão, a sua capital cosmopolita.

Mas o nosso destino era o famoso Lago Como, local onde celebridades mundiais como George Clooney e José Mourinho possuíam as suas villas. Este lago situa-se numa ídilica paisagem de montanhas e encostas acidentadas, e tem atraído muitos turistas ao longo dos séculos, que querem passear de barco, fazer caminhadas pelas colinas, relaxar por alguns momentos e encontrar inspiração pessoal. O próprio lago, pelo que pude constatar, envolve as pessoas numa tranquilidade quase misteriosa. O seu longo e estreito formato, como uma fúrcula devido a uma erosão glaciar, oferece uma visão encantadora dos Alpes a norte, bem como de Como e Lecco a sul.

A estação ferroviária fica no ponto mais alto de Como, uma cidade charmosa e principesca, que encanta ao primeiro olhar. A primeira paragem deste passeio ocorre num enorme jardim, à beira do lago, chamado Amici di Como. Neste espaço verde localiza-se o Tempio Voltiano, onde se pode fazer uma viagem sobre a ciência. A sua designação é dedicada ao físico Alessandro Volta, responsável pela invenção da pilha.

 

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Passava um pouco das 9 horas e o jardim já estava composto de pessoas, quer locais, quer turistas. Junto ao lago, existiam sombras que aligeiravam o calor abrasador que já se sentia. As pessoas sentavam-se despreocupadamente na relva, nos bancos de jardim, bem como banhavam-se na água plácida do lago. De facto, a visão que o lago proporcionava era de se tirar o fôlego... o sol brilhava no lago, o céu estava isento de nuvens, conferindo à paisagem uma beleza quase éterea. Sen dúvida, eu estava num pequeno paraíso na Terra.

 

  

Comecei a sentir comichão nas pernas, mas não liguei muito à situação. Queríamos aproveitar ao máximo a cidade, pelo que resolvemos caminhar pelo calçadão à beira do lago e chegámos à Piazza Cavour, um pequeno rectângulo com edificios elegantes, que ficava próximo da Piazza Duomo. Nesta praça, situa-se a Cattedrale di Como, ou Cattedrale di Santa Maria Assunta, um templo católico que é a sede da Diocése de Como. É o edifício religioso mais importante da cidade e um dos mais conhecidos da zona do Lago de Como.

Descrita como uma catedral do estilo gótico, a sua contrução começou em 1396, sob a supervisão de Lorenzo degli Spazzi di Laino, tendo sido concluída em 1770 com a construção da cúpula, desenhada pelo arquitecto Filippo Juvara. O edifício tem 87 m de largura, entre 36 a 56 m de comprimento e 75 m na parte mais alta da cúpula (http://www.cattedraledicomo.it/index.php/it/).

 

 

De seguida, dirigimo-nos à Piazza Giuseppe Verdi, onde se localiza o Teatro Sociale, desenhado pelo Arquitecto Giuseppe Cusi por ordem da nobreza local, que queria construir um novo edifício para substituir o existente, visto como antiquado. Foi escolhido o local de um castelo medieval em ruínas, Torre Rotonda, e a Societá dei Palchettisti foi criada para financiar a sua construção (http://www.teatrosocialecomo.it/). A sua construção iniciou-se em 1812, com uma fachada neo-clássica, mas devido a um inverno rigoroso, não pôde ser finalizada no mesmo ano. Foi concluída somente no Verão de 1813.

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Enquanto observávamos o edificio debaixo de uma torrente de sol forte, fomos brindadas com a melodia de Verdi, que saía pelas janelas abertas do teatro e que ecoava por toda a praça. Sentei-me nas escadarias do edifício, onde a sombra possibilitava-me um pouco de frescura. A comichão nas pernas aumentava consideralvemente e começaram a aparecer babas enormes, vermelhas e que estavam assanhadas por causa do intenso calor. Foi assim que o pesadelo começou...

Continuámos a nossa visita pela cidade e deparámo-nos com a Piazza San Fedele, uma pequena cidade pitoresca dentro de Como, onde antes existira o mercado.  Nesta praça, situa-se a Basilica di San Fedele, dedicada ao mártir São Fedele. De origem romana, data de 1120. A sua restauração em 1914, alterou a fachada e a torre do sino.

 

 

O seu interior é magnânimo, com três naves e três presbitérios, cobertos por uma cúpula e rodeados de um ambulatório. Ao longo destes ambulatório, poderia observar-se frescos medievais.

 

 

A própria praça é digna de apreciação, com edifícios pitorescos e cores garridas, que se sobressaíam com o sol. A basílica pode ser o edifício que mais chama a atenção, mas a tranquilidade que paira na praça, com as ruas adjacentes e estreitas em redor, também contribuem para a beleza da mesma.

 

 

A caminhada pelas ruas estreitas e encantadoras de Como proporcionou a observação da Mura di Como, um muro medieval que cerca três lados do centro da cidade e que ainda se encontra bem preservado. Foi construído por Giulio Cesare na primeira metade do Séc. I a.c. e tinha como objetivo ser uma estrutura defensiva complexa, que cobria o acesso a Milão e ao vale do Pó dos Alpes Centrais. Neste muro, fazem parte as antigas portas de entrada para Como, Porta di Como Romana e a Porta Torre.

Porta di Como Romana foi a principal porta de entrada romana para Como, conhecida como Porta Pretoria, tendo sido local de passagem daqueles que queriam chegar a Milão. Esta entrada foi descoberta em 1914 durante a construção de um edifício na mesma  zona, sendo visitada atualmente por muitos turistas.

Porta Torre é um dos exemplos mais interessantes da arquitectura militar romana em Itália. Tem uma aparência maciça do lado de fora, enquanto que no lado da cidade é iluminada por quatro fileiras de arcos. Em cada extremo do muro, encontram-se a Torre San Vitale (lado esquerdo) e a Torre Gattoni (lado direito).

 

Adeus Portugal... Buon giorno, Milano

3 de Agosto de 2017.

Eu e a minha companheira de viagem, Joana, chegamos ao Aeroporto da Portela por volta das 07:30h. A partida para Itália estava marcada para as 09:05h através de um vôo pela TAP, reservado e pago com alguns meses de antecedência (regra n.º 1: poupança de dinheiro em viagens longas). 

O check-in foi rápido e sem incidentes (os bilhetes de avião estavam guardados na wallet do meu Iphone), o que nos permitiu avançar logo para a revista das bagagens (regra n.º 2: poupança de tempo no aeroporto quando se faz o check-in online).

Assim que entrei no avião que nos transportaria para Itália, senti as batidas do meu coração... talvez a excitação de uma nova descoberta ou a ansiedade normal de quem viaja de avião, quem sabe? Até poderiam ser as duas sensações juntas que estavam a acelerar o meu lento coração. Confesso que a insegurança registada em vários países da Europa, devido aos diversos atentados terroristas em grandes cidades turisticas, também mexia com os meus nervos. Viajar é cada vez mais um risco que se corre, apesar de todas as experiências memoráveis que esse acto pode trazer. Contudo, a escolha é fácil...entre gozar as férias de Verão no país onde resido ou gozar numa cidade de um país diferente, prefiro sempre a segunda opção. Para mim, viajar é uma enorme limpeza da alma, o corpo fica energizado e a oportunidade de viver novas experiências é gratificante. 

O avião descolou no horário previsto e o vôo decorreu normalmente, sem incidentes. A TAP tem vindo a melhorar os seus serviços desde 2014 (ano em que viajei para a Grécia e tive de esperar três horas no aeroporto de Milão para regressar a Lisboa), pelo que nada havia a apontar a esta companhia. E perguntam vocês: porquê iniciar a viagem por Milão? Muito simples...os bilhetes para esta cidade foram extremamente baratos (porque foram comprados com muita antecedência). Por isso, resolvemos fazer de Milão o nosso destino de vôo de partida e chegada para Lisboa.

Assim que chegamos ao Aeroporto de Malpensa (que fica a 50 kms de Milão), fomos invadidas por um intenso calor. O edificio do aeroporto estava fresco, mas o calor sentido previa que a primeira paragem desta viagem italiana seria insuportável...mas isso fica para mais tarde. 

Escolhemos o comboio como meio de transporte para chegarmos a Milão. Cada uma arrastou a sua bagagem até ao local de onde partiam os comboios. A companhia era a Trenitália (http://www.trenitalia.com/) e o bilhete custou-nos 13 euros. A viagem decorreu normalmente, e, embora houvesse ar condicionado nas carruagens do comboio, o  calor sentia-se e eu já estava a ficar suada.

Assim que chegamos à gigantesca Estação Central de Milão, fomos imediatamente comprar os bilhetes de comboio para o Lago Como e para Veneza no serviço de cliente da Trenitália. Esta empresa de transportes ferroviários não é a melhor deste país... aliás, até é bem fraca comparativamente com a Frecciarossa e a Italo (a melhor de todas). Carruagens velhas e sem ar condicionado são alguma das críticas mais evidentes a apontar, para além da falta de pontualidade dos comboios e do preço exorbitante dos bilhetes. Este serviço da Trenitália na Estação Central de Milão estava congestionado de turistas que também estavam como nós... às aranhas! Um funcionário encontrava-se em frente aos balcões de atendimento, entregando senhas de chegada às pessoas, assim que chegavam.

Aproveitamos a enorme fila para os diversos balcões de atendimento e fomos comprar o bilhete para o Lago Como, que seria o nosso primeiro "bate-volta" em Itália. A viagem seria feita no dia seguinte e custou-nos, se bem me lembro, perto de 10 euros (ida e volta). De seguida, voltámos à enorme fila com o intuito de comprar o bilhete para Veneza. Apesar de existirem máquinas de venda de bilhetes das três empresas ferroviárias já mencionadas (que também estavam congestionadas de turistas) por toda a estação, preferimos, achávamos nós, comprar o bilhete no balcão da Trenitália. Há medida que esta viagem foi progredindo, concluimos que compensava mais comprar nas máquinas. 

O funcionário da Trenitália que nos vendeu os bilhetes ao balcão era a versão italiana de um típico funcionário de um qualquer serviço das Finanças em Portugal... em final de carreira, cansado e rabugento. Apesar de ter ficado agradavelmente surpreendida com a simpatia inata do povo italiano, esta primeira interacção foi um autêntico pesadelo. O meu italiano era extremamente básico... só sabia dizer buon giorno e grazie mille. O inglês do funcionário era extremamente pobre, pelo que o nosso entendimento era muito complicado. Para além do problema da linguagem, o dito senhor também se contradizia nas informações que nos prestava... atrevo-me a dizer que ele queria nos passar um atestado de estupidez e isso despoletou a minha impaciência e raiva. Por fim, conseguimos comprar o bilhete para Veneza, que custou a módica quantia de 45 euros...o primeiro roubo em Itália. Viemos a constatar que a viagem não valia tanto dinheiro.

Saímos da estação e fomos abraçadas por um calor intenso e abafado e ainda tinhamos que encontrar o hotel. Felizmente a nossa procura foi curta e, vinte minutos depois, conseguimos chegar ao Hotel Windsor Milano (https://www.booking.com/hotel/it/windsor.pt-pt.html), que ficava na Via Galileo, numa esquina, em pleno coração financeiro de Milão. Nas redondezas, encontravam-se diversos arranha-céus espelhados e modernos, que contrastavam com algums edificios históricos. Este hotel ficava bastante perto da Piazza della Republica, onde se situava a linha amarela do Metro que nos levava à Piazza del Duomo (o centro histórico e muito turistico de Milão). Também existia uma paragem de eléctrico em frente ao hotel que tinha ligação com o centro histórico. Concluindo, o nosso alojamento em Milão não poderia ter sido melhor. O hotel, de quatro estrelas, tinha uma receção charmosa e o nosso atendimento foi simpático e prestável. Ficámos instaladas no quinto andar num quarto maravilhoso.   

 

Imperavam as cores sóbrias do pastel, do cinza e do azul escuro, numa combinação clássica e subtil que nos transmitia tranquilidade. O quarto era grande, com duas camas separadas, uma pequena mesa e duas cadeiras, um armário e um móvel em frente às camas, onde se encontrava a televisão. A casa de banho era moderna, iluminada e limpa... quase luxuosa. O wi-fi gratuito era bom e o mini bar, com garrafas de água e refrigerantes, também era gratuito. O ar fresco que saía do ar condicionado era muito bem-vindo. Aproveitei para beber uma garrafa de água gelada do mini bar e deitei-me na cama imaculada para descansar. Continuava a suar em bica e o meu corpo precisava de descanso. 

Joana encontrava-se deitada, entretida a ver o mapa da cidade. Estávamos ansiosas para ver o centro histórico da cidade, mas também queriamos ganhar forças para voltar a enfrentar o calor abrasador. Outro local que queriamos visitar era Naviglio Grande, onde se encontrava a Ripa di Porta Ticinese, um pequeno bairro pitoresco com canais e pontes, parecido com Veneza, e que tinha sido aconselhado por um amigo italiano de Joana.

Para evitar o calor insuportável que imperava nas ruas, resolvemos apanhar o metro na linha amarela da Piazza della República, que ficava muito perto do hotel. Esta estação também era uma estação de comboios, pelo que demoramos algum tempo para encontrar o metro. Cada bilhete custava 1,50€ e lá fomos para a estação de Duomo, a nossa primeira paragem obrigatória para visitar a cidade.

Milão é um autêntico centro da moda e dos negócios, sendo uma cidade muito urbana e, essencialmente financeira. Mais do que atractiva, é uma cidade inteligente, bem afortunada e extremamente cara. A sua designação provém de duas palavras latinas: medio planum, que significam no meio do plano. Tornou-se num enorme centro de trocas e de rotas transalpinas e um prémio para as dinastias italianas mais poderosas. Milão, na minha perspetiva, é uma cidade cosmopolita, com alguns toques históricos, mas onde impera o estilo e a imagem. Tirando o centro histórico, não é uma cidade de se tirar o fôlego.

Assim que saímos da estação de metro, fomos atingidas pela grandiosidade da Piazza del Duomo (http://www.duomomilano.it/en/section/visit-the-duomo/dcffa929-1d39-41db-818c-c19c1d8a0d84/), um enorme rectângulo onde se encaixa numa perfeita harmonia a Catedral, a gloriosa Galeria Vittorio Emanuelle II e o Palazzo Reale, que alberga o Museo della Reggia.

A Catedral de Milão é uma das maiores igrejas góticas do mundo. A sua construção data do séc. XIV, graças ao Princípe Gian Galeazzo Visconti, embora só tenha sido finalizada 500 anos depois. A fachada espelha uma mistura de estilos interessante, desde o gótico, passando pelo Renascentismo e pelo Neo-Clássico. Em suma, é um portento para os olhos. Para entrar neste edificio, bem como no Palazzo Reale, é necessário pagar 6 euros. 

 

 

A Galeria Vittorio Emanuelle II também não fica atrás na grandiosidade. Sendo a porta para a Piazza del Duomo e para a Piazza della Scala, também funciona como um luxuossímo centro comercial, onde se encontra o chamado Quadrilátero da Moda, onde diversas marcas têm a sua loja. Este edificio é conhecido como Il Salotto de Milano (a sala de desenho de Milão) e foi desenhado pelo Arquitecto Giuseppe Mengoni em 1865, tendo sido inaugurado em 1877. É um edificio que alberga diversas lojas, cafés e restaurante chiques (Gucci, a Gelataria Amorino e o Savini, um dos restaurantes mais históricos de Milão).

 

 

O chão desta Galeria tem a forma de uma cruz latina, com um centro octagonal adornado de mosaicos representando quatro continentes: Europa, América, África e Ásia, juntamente com outros que representam a Arte, Agricultura, Ciência e Indústria. O telhado é feito de metal e vidro, coroado com uma magnífica cúpula central. Foi o primeiro edificio em Itália a utilizar o metal e o vidro como estrutura e não como decoração.

 

 

O Palazzo Real, atual Museo della Reggia (http://www.museodelnovecento.org/it/), completa o luxuoso triunvirato desta praça. Antiga residência de vários governantes de Milão, este edificio alberga exibições de arte temporárias e outros eventos. 

 

 

O Teatro alla Scala (http://www.teatroallascala.org/en/index.html), localizado na Piazza della Scala, foi inaugurado em 1778 e é uma das mais prestigiadas casas de ópera do mundo. Tem um dos maiores palcos da Europa, onde recebe produções sumptuosas. Também alberga o Museo Teatrale, onde estão expostos os cenários e roupas de antigas produções, bem como objetos teatrais que datam do tempo romano.

 

 

Depois de visitada a praça mais turística de Milão, resolvemos caminhar pela Via Dante (uma espécie de Avenida da Liberdade), que nos conduziu ao Castelo Sforzesco (https://www.milanocastello.it/), imponente e com uma lindíssima fonte que jorrava água de uma forma espectacular. O sol começava a desaparecer no horizonte, o que tornava o cenário ainda mais esplendoroso.

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Este castelo renascentista foi construido a mando do governante Francesco Sforza, no mesmo local onde tinha sido edificado outro castelo pela familia Visconti, tendo sido demolido no séc. XV.

Depois de refrescar os pés na fonte mesmo frente à entrada do palácio, lá fomos à descoberta do mesmo, mas para nossa surpresa, o mesmo já se encontrava encerrado para visitas. Só visitamos alguns pátios exteriores do castelo, que eram vastos. 

 

 

Pelo interior do castelo, poderiamos acessar ao Parco Sempione, uma enorme zona verde onde despontava um lago, onde se poderia ver patos e tartarugas. Uma delas até se aproximou da Joana, mas fugiu logo de seguida. Apesar de ser vasto e frequentado por muita gente, não me senti segura porque presenciei algum tráfego de drogas em pleno parque. A minha vontade de passear desvaneceu, pelo que resolvemos sair o mais depressa possível do local.
 

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Dirigimo-nos à estação de metro de Cadorna, muito perto do castelo, onde iriamos apanhar a linha verde até ao bairro de Naviglio Grande, mais concretamente à Ripa di Porta Ticinese, onde se encontrava alguns canais, que se assemelhavam a Veneza. Nem imaginávamos que iria tornar-se numa dolorosa experiência.

Parámos no local para beber um aperitivo e comer um buffet livre, tudo pela módica quantia de 10 euros, num bar chamado Village Café (https://www.facebook.com/Villagecafenavigli/?hc_ref=ARRgjSKHtnjahuzCArlcd6M9FLGpE4l2Oi6r-Cy2WYP55mdWL1Vttpk8ZUoCIRA9K1o&pnref=story), mesmo junto a um dos canais.

Pedi uma caipirinha e comi alguns salgados quentes e frios, com massa e salada. Era moda em Itália ir a alguns bairros e beber um aperitivo, acompanhado de um buffet livre, ao final da tarde. É barato e não se come mal.

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Contudo, e como estava junto ao canal, senti imensas melgas no ar, o que me impedia de desfrutar do jantar. Finalizado o mesmo, passeamos um pouco pelos canais, com diversos bares e restaurantes em cada margem, mas o calor que ainda se fazia sentir e as melgas que andavam no ar não ajudavam a caminhar. 

Depois de um dia agitado, com a viagem  e o passeio pelo centro histórico de Milão, chegámos ao hotel cansadas, mas realizadas. Um duche fresco antes de dormir ajudou a relaxar o meu corpo cansado. Mais uma coisa que comecei a fazer nesta viagem...tomar um poderoso duche fresco antes de dormir, é mesmo remédio santo para o corpo e mente. Mas o pior ainda estava para vir...

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 196-198.

2017...ano de todas as mudanças

Bem vindo(a) ao blog "Viagens sem Fronteiras", com uma nova imagem e com novas aventuras que merecem ser relatadas.

 

Depois do interesse revelado por diversos visitantes deste pequeno espaço digital, em querer saber um pouco mais sobre as viagens que eu tenho a sorte e engenho de fazer anualmente, resolvi contar ao mundo as minhas experiências de viagem.

 

Espero que gostem destas viagens sem fronteiras...e que vos faça viajar por esse mundo fora!