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Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Siena Medieval

11 de agosto de 2017.

 

Mais um dia de visita...mais um dia de calor intenso...mais um dia exaustivo, mas Siena mereceu uma visita completa, visto que é uma das mais encantadoras cidades medievais de Itália, quiçá do mundo. 

Acordei e olhei para as minhas pernas, cada vez mais limpas e livres das horrorosas babas que me assolaram nos primeiros dias. Estava bem disposta e pronta para mais um passeio à descoberta da Toscânia. Contudo, a irritação veio cedo e logo com a refeição mais sagrada do dia... o pequeno-almoço. Saímos do nosso quarto confortável e dirigimo-nos à sala das refeições, que ficava colada à recepção do hotel. O espaço seguia a mesma decoração, clássica e antiga, mas era muito pequeno. Assim como o pequeno-almoço... pequeno, pequeno, pequeno. Cada mesa tinha no centro um pequeno prato com dois croissants (pelo menos, eram grandes e saborosos), um cestinho com doces, manteiga e cacau e uma caneca. Junto à entrada da sala, encontrava-se uma mesa comprida com pratos e copos, bem como um cesto com reduzidas fatias de pão (pareciam ser do dia anterior), para além dos diversos cereais. Apesar da pobreza de produtos, tivémos direito cada uma a um cappucino, gentilmente preparado por uma das empregadas do hotel. Pode se dizer que foi a cereja no topo de um bolo mediocre. Pelo preço que foi a estadia neste hotel, não poderiamos aspirar a mais.

Dirigimo-nos à estação ferroviária para apanhar o comboio para o destino do dia: a cidade medieval de Siena (Sena, em português). A viagem de ida e volta custou-nos 9,10€ pela Trenitália (que surpresa!), tendo decorrido sem incidentes. Assim que saímos da estação ferroviária de Siena, percebemos que chegar ao centro medieval seria um enorme quebra-cabeças. Não existia posto turístico nas imediações e o mapa da cidade era pago (quase 4 euros...chulos!) numa daquelas máquinas de venda de mapas. Estava muito calor e estávamos longe do nosso destino...pelo menos, 15 a 20 minutos a pé. 

Quando chegámos ao centro medieval, voltámos a não encontrar um posto de turismo que nos pudesse ceder um mapa que nos guiasse pelo referido local. Eu, particularmente, estava suada e irritada...literalmente a bufar! Mas assim que se entra em Siena, tudo se esquece e uma autêntica viagem no tempo acontece. Junto à entrada, podiamos ter acesso a uma belissima vista de Siena, no alto da colina. 

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Antes mesmo de entrar no centro, deparamo-nos com a majestosa Basílica de São Domingos, também designada de Basílica Catariniana (http://www.basilicacateriniana.com/storia_en.htm). A sua construção decorreu de 1226 a 1265 e a sua ampliação no século XIV, quando adquiriu a sua actual aparência gótica. Esta basilíca de grandes dimensões, foi construída com tijolos e uma enorme torre com sino. O interior tem o formato de uma cruz egipcía, com uma enorme nave coberta por treliças e um transepto com capelas altas. A igreja alberga diversas relíquias de Santa Catarina de Siena. Concluíndo, é um edificio que é um festim para os olhos.

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Siena é uma cidade medieval na região da Toscânia, com cerca de 52 mil habitantes. É universalmente conhecida pelo seu património artístico e notável centro histórico, classificado pela UNESCO como património da Humanidade. O grande artista renascentista Baldassare Peruzzi nasceu neste local.

É igualmente um labirinto de ruas estreitas e becos que vão desaguar na turisticamente famosa Piazza del Campo (uma espécie de arena dentro do centro histórico... a fazer lembrar os filmes com gladiadores). A primeira paragem obrigatória foi a espaçosa Piazza del Duomo, onde se situa a Catedral de Siena (http://www.sienaguidavirtuale.it/accessible/ita/geo_duomo_piazza.html). Este opulento edifício, iniciado em meados do Séc. XII, é um exemplo representativo da arquitectura gótica italiana. A fachada principal, autoria de Goivani Pisano, foi terminada em 1380.

No interior, é possivel observar o púlpito octogonal, apoiado sobre leões de Nicola Pisano, e o seu pavimento de mosaicos. 

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Caminhando pelas ruelas medievais desta cidade, é possível apreciar belos edificios como o Palazzo Chigi-Saracini (http://eng.chigiana.it/the-chigiana-academy/), de estilo gótico, localizado na Via di Cittá, bem no centro histórico. Foi pela família Marescotti no séc. XII. Foi a casa do Conde Galgano Lucarini Saracini e é descrita como uma beleza gótica com uma fachada curva e um jardim nas traseiras.

No entanto, todos os caminhos vão dar à atracção principal, Piazza del Campo (ou Il Campo). É a praça mais conhecida da cidade, reconhecida pela sua forma em D, inclinada como um anfiteatro. Na parte mais baixa, encontra-se o Palazzo Pubblico e a sua torre célebre de 102 mts, Torre del Mangia. Em Itália, onde todas as cidades mostravam o seu poder ao orquestrar um ambiente urbano altamente politizado, Siena construiu esta praça como um verdadeiro emblema. Para a construção da mesma foi necessário reunir dois campos, o de San Paolo e o Del Fiori. Jardins e casas foram compradas, um muro alto foi construído para proteger o local da água que invadia regularmente no outono e inverno, bem como o comércio foi reorganizado: os comerciantes de vinho, talhantes, lavradores e mercados moveram-se para ficar às portas do recinto amuralhado. É neste espaço que acontece, anualmente, o mais famoso evento de Siena, em Agosto: o Palio (que falarei noutra crónica).

Cada vez mais estava a gostar deste passeio por uma cidade tão carregada de história, tão diferente de qualquer outra que tivesse visto. É o genuíno prazer que qualquer pessoa pode obter quando viaja... conhecer diversos locais mágicos, aproveitando cada descoberta, cada momento, cada experiência. Siena é um desses locais... os seus edificios, as suas ruelas, as suas bandeiras espalhadas por todo o lado, a história tão evidente em cada esquina.

Piazza Santo Spirito foi o próximo destino. Nesta praça encontra-se a Chiesa di Santo Spirito, uma igreja romana de estilo renascentista. A sua construção foi iniciada por Biccherna para os monges da Ordem Silvestrina em 1345. Em 1440 foi passada para os Benedictinos de Santa Giustina, e pouco tempo depois, para a Ordem Dominicana. Esta igreja foi  reconstruída de 1498 a 1504, pelos arquitectos Francesco di Giorgio e Pandolfo Petrucci. A cúpula foi completada em 1504. O portal de mármore de 1519 foi desenhado por Baldassare Peruzzi. A capela foi pintada em 1530, num estilo renascentista. 

A última descoberta em Siena foi o Santuário e a Casa de Santa Catarina, patrona desta cidade. De seu nome Catarina Benincasa, era filha de um vendedor. Aos oito anos entregou-se a Deus e teve várias visões, tendo recebido a stigmata (as feridas de Deus). Santa Catarina faleceu em Roma e foi canonizada em 1461. Atualmente, a Casa de Catarina é rodeada de capelas e claustros. Entre eles está a Igreja da Crucificação,que foi construída em 1623. A Casa está decorada com pinturas dos eventos da vida desta santa.

Foi muito bom descobrir Siena. No final deste passeio, foi possível registar em fotografia a beleza desta cidade, quase como imagem de um postal. A sorte que eu tenho em poder viajar!

IMG_6623.JPGO regresso ao hotel foi feito calmamente, apesar do cansaço que se apoderava dos nossos corpos. A noite seria passada no centro de Florença, num jantar excelente num restaurante que, a princípio, passava despercebido nas agitadas ruas florentinas. O restaurante, de seu nome Il Nutino dal 1955 Ristorante Pizzeria (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187895-d1130784-Reviews-Il_Nutino-Florence_Tuscany.html), era constituido por dois andares. Eu e a Joana fomos conduzidas para o primeiro andar, visto que a esplanada exterior estava lotada (como sempre!) de turistas esfomeados, que ocupavam as mesas em grupos enormes. Confesso que, apesar de confiar na opinião do Tripadvisor, essa maravilhosa bíblia de turismo, eu não estava muito entusiasmada com o local. Mas a simpatia do gerente e do empregado de mesa que nos serviu (que era espanhol) foi o suficiente para deixar cair a minha resistência. Mas acima de tudo, foi a comida tipicamente italiana que me conquistou. Nós queriamos desesperadamente comer a Bistecca alla Fiorentina, mas mais uma vez os nossos intentos sairam furados. Só vendiam ao quilo, o que significava que só este prato custava a cada uma de nós 22 euros! Quando é que iriamos comer a bisteca?! Tivemos que esperar mais um dia para fazê-lo. Acabei por pedir um prato de Fettucine al Pesto, massa com molho pesto (ou de manjericão), que estava simplesmente divinal! Acabadinha de fazer, com um ar super caseiro, aquilo era um bálsamo para a minha boca.  A Joana pediu a pizza Bottegaia (branca), de massa fina e composta por queijo mozzarella, pedaços de presunto, cogumelos, rucula e queijo parmesão. Mais um prato divinal!

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Depois do prato principal, onde as nossas pupilas desgustativas ficaram extasiadas com tanto sabor italiano, comemos uma fatia de tarte de maçã quente, e que, provavelmente, foi a sobremesa mais deliciosa que alguma vez comi. Não consigo descrever por palavras o que senti quando comi aquela fatia, mas agradeci a todos os deuses o facto de ter uma vida que me permite viajar e jantar nestes restaurantes maravilhosos.

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Mas o melhor estava reservado para o final. O preço final da refeição custou-nos a cada uma de nós perto de 14 euros, o que nos surpreendeu, e tivemos direito a um copo de lemoncello gratuito (mais uma vez)! Mas... e existe sempre um "mas", ainda tivemos direito a mais uma agradável surpresa, proporcionada pelo gerente do restaurante. Ele veio ter connosco com enorme simpatia, perguntando se tinhamos gostado da refeição, ao qual respondemos muito positivamente. Encetámos uma conversa amena onde a nossa nacionalidade portuguesa veio ao de cima e ele, do nada, pediu ao empregado de mesa que nos servisse uma taça de créme burlée. Não sei se foi a nossa beleza natural ou o nosso paleio de contentamento, mas ele achou que deviamos comer mais uma sobremesa saborosa do seu restaurante. Ficámos muito surpreendidas, mas felizes com este gesto, que valeu ao restaurante mais uma nota excelente da minha parte no Tripadvisor.

Para desmoer o excelente repasto, passeámos pelo centro histórico, apreciando os belos edificios e ruas iluminados. Um final feliz para um dia feliz de descobertas.

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 342-347. 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

Cai chuva em Florença

10 de agosto de 2017.

 

Mais um dia, mais uma viagem de comboio. Desta vez o destino seria Florença, a histórica capital da bela região da Toscânia. A manhã foi igual às anteriores... levantar-me, observar as pernas (cada vez melhores), tomar um duche para refrescar o corpo, vestir-me, arrumar a mala e tomar o insípido pequeno-almoço. O comboio para Florença partia da estação às 09:10h, por isso tinhamos tempo de sobra para fazer o que quer que seja.

A viagem até Florença foi feita, mais uma vez pela Trenitália, e custou a cada uma de nós 24,90€. Decorreu sem problemas, embora continue a achar que não é uma boa empresa de transportes ferroviários. Chegariamos ao destino por volta das 11:50h, por isso aproveitamos para relaxar (eu ouvindo música e a Joana dormindo). Florença é um vasto e belo monumento ao Renascentismo, onde escritores como Dante e Machiavelli contribuíram para a sua herança literária, embora tenham sido as pinturas e esculturas de Botticelli, Miguel Ãngelo e Donatello, que tornaram esta cidade numa das maiores capitais artísticas do mundo.

Saímos na Estação Ferroviária de Santa Maria Novella, junto à Piazza Stazione. Em frente à praça de táxis, podemos observar a imponente Basílica de Santa Maria Novella, que seria visitada mais tarde. Primeira tarefa a fazer em solo fiorentino: rumar ao nosso alojamento, de seu nome Hotel Genésio (a minha avaliação no Tripadvisor: https://www.tripadvisor.pt/ShowUserReviews-g187895-d529998-r511945140-Hotel_Genesio-Florence_Tuscany.html#CHECK_RATES_CONT). Este hotel localizado na movimentada Via Ventissette Aprile, não se evidencia de outros na mesma rua. Uma entrada velha, com porta aberta o dia todo, e com um elevador extremamente pequeno e antiquado. Tivemos de subir as escadas para chegar ao 2º andar, onde se encontrava a receção do hotel, em tons de dourado e de aspeto clássico. Fomos atendidas por um simpático senhor de meia idade, balofo e bonacheirão, que sabia falar inglês da mesma maneira que nós falávamos italiano...quase nada. Depois do check-in efetuado (onde tivemos de pagar uma taxa turistica de 12,50€ cada uma), o dito recepcionista, ou gerente, levou-nos ao quarto. Voltámos a descer alguns degraus e a subir mais alguns e entramos noutra porta, onde estavam os quartos mais modernos. Sim, existiam quartos com decoração mais clássica e outros com um toque moderno. O nosso quarto ficava numa zona sossegada, com a janela virada para uma rua transversal, Via San Zanobi. O quarto era amplo e com uma boa iluminação. Era branco, com laivos de cinzento (a mobilia e a pequena cortina da janela) e vermelho (a colcha que estava na cama). A casa-de-banho era pequena, mas moderna e limpa. Aliás, o espaço estava muito limpo e era acolhedor. Aproveitámos para descansar um pouco antes da visita obrigatória ao centro da cidade. 

 

 

Uma hora e tal depois da nossa chegada, resolvemos sair do hotel para conhecer um pouco a cidade. O céu estava incrívelmente cinzento, com nuvens carregadas, anunciando uma inevitável tempestade. E passados cinco minutos, começou a chover torrencialmente, algo que não acontecia há três meses. Corríamos o risco de ficar totalmente encharcadas, quando entrámos numa loja de malas, gerida por um indiano. O senhor foi extremamente atencioso connosco e deixou-nos estar na loja, sem comprar nada. As pessoas corriam apressadas pelas ruas em busca de abrigo. Não era bem isto que queria logo no primeiro dia em Florença. 

Depois do dilúvio, o céu começou aos poucos a ficar mais claro, com o sol aparecendo tímidamente. A primeira visita que fizemos foi ao Mercato Centrale (uma espécie de mercado da ribeira lá da zona), situado na Piazza del Mercato Centrale. No rés-do chão funcionava o mercado propriamente dito, e no 1º andar ficava a zona da restauração, extremamente compacta, cheia e confusa. Tentei encontrar um stand onde pudesse comer qualquer coisa, mas era tudo extremamente caro. E para piorar, o ambiente estava a deixar-me irritada e com claustrofobia. Saí do mercado em busca de algum restaurante para comer qualquer coisa. A caminho do centro histórico, encontrámos um pequeno spot com o nome de Nobile Bistrò (https://www.facebook.com/nobilebistro/), na Piazza di Madonna degli Aldobrandini, colado à Capela Medici. De facto, o espaço era extremamente pequeno e nem sequer tinha mesas. As mesmas, que supostamente deveriam estar dispostas no exterior, estavam arrumadas devido à chuva. Por 6€, comi um pannini de salmão (uma espécie de sandes) muito delicioso e acabadinho de fazer e bebi uma coca-cola. Os donos, muito simpáticos, desculparam-se pelas mesas não estarem colocadas na rua. Nem precisavam de o fazer, na realidade. Sentámos num fontanário, em plena praça, a desfrutar do saboroso pannini, que encheu o estômago esfomeado. 

 

 

Em frente ao fontanário, encontrava-se a referida Capela Medici (Cappelle Medicee). É o mausoléu e e local de sepultamento da Família Médici, encontrando-se inserida no complexo da Basílica de San Lorenzo. Foi concebida por Brunelleschi no Séc. XV e construída por Miguel Ângelo e Bountalenti, entre os Séc. XVI e XVII (https://www.florence-museum.com/br/bilhetes-capelas-medici.php). A Sacrestia Nuova (Sacrístia Nova) e a Capella del Principi (Capela dos Princípes) são as principais salas do edificio, que funciona como museu, e através delas é possivel aceder às traseiras da Basílica. A Sacrístia Nova foi concebida e construída por Miguel Ângelo, a partir de 1519, por forma a albergar os túmulos de Lorenzo e Giuliano de Médici, decorados com maravilhosas esculturas.

Pouco tempo depois, chegámos ao centro histórico (Piazza Duomo). É uma área compacta onde os monumentos encontram-se perto uns dos outros, podendo ser visitados a pé. Aqui fica localizada a Basílica de Santa Maria del Fiore (https://www.museumflorence.com/monuments/1-cathedral), composta pelo batistério (logo à entrada), o campanário, a famosa cúpula e algumas capelas. É um enorme e opulento complexo que deixa qualquer turista de boca aberta.

 

 

Esta praça é, provavelmente, a mais visitada de Florença. Com milhares de turistas em redor da basílica, caminhando ou andando em coches (faz-me lembrar Viena de Aústria), este local transpira história e vida. 

 

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Próximo desta praça, fica a Piazza della Reppublica, local onde outrora existiu um fórum romano. Esta praça albergou o maior mercado da cidade e o guetto judaico até 1860, altura em que foram adicionados pórticos unidos por um triunfal e grandioso arco (Arcone). Este arco e o pórtico Gambrinus foram concebidos e construídos por Vincenzo Micheli, tendo em conta o alargamento da praça no Séc. XIX. Atualmente, a praça é preenchida por diversos cafés históricos e literários, como o Caffé Gambrinus, Gilli, entre outros, bem como um belissimo carrosel que faz as delicias das crianças.

 

 

De seguida chegámos a um edificio chamado Orsanmichele, construído em 1337 como um mercado. Depois converteu-se numa igreja. A designação advém de um jardim monástico desaparecido chamado Orto di San Michele. As arcadas do mercado transformaram-se em janelas, mas o traço gótico original ainda pode ser apreciado. No exterior, pode se ver várias esculturas de santos patronos, mas algumas delas são cópias. O seu belo interior contem um opulento altar do Séc. XIV, A Virgem e a Criança.

 

 

Algumas ruas a seguir, deparamo-nos com um edificio com imensas janelas designado de Palazzo Strozzi (http://www.palazzostrozzi.org/mostre/cinquecentoflorence/?lang=en), entre a Via degli Strozzi e a Piazza degli Strozzi. É um dos mais notáveis edificios do inicio do Renascentismo italiano. Para justificar a sua imponência, foi necessário destruir quinze edificios para construí-lo. A sua entrada é constituída por grandiosos portais, todos iguais. Foi construído entre 1489 e 1538 para a família Strozzi, uma das mais importantes linhagens florentinas, inimiga da facção dos Médici, que o manteve na sua posse até 1907, ano em que foi legado ao Estado italiano. O Arq.º Benedetto da Maiano foi responsável pelo projecto, por encomenda de Fillipo Strozzi. Actualmente, alberga galerias de arte, um arquivo e outros serviços culturais.

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Próxima da Piazza Santa Trinita, fica a ponte com o mesmo nome, uma das muitas que atravessam o Rio Fiume. É uma ponte renascentista e é a mais antiga ponte com arcos do mundo. Fica próxima da Ponte Vecchio e da Ponte alla Carraia. Foi construída pelo Arq.º Bartolomeo Ammannati de 1567 até 1569. Em 1944, esta ponte foi destruída pelo recuo das tropas alemãs por causa do avanço das tropas aliadas. Foi reconstruída em 1958, sob a direcção do Arq.º Riccardo Gizduliche o Eng.º Emilio Brizzi.

 

Pouco depois, chegámos à maravilhosa e enorme Piazza degla Signora (https://www.visitflorence.com/it/monumenti-di-firenze/piazza-della-signoria.html), onde se encontra o Palazzo Vecchio, a Galeria Ufizzi, a Loggia dei Lanzi e inúmeras estátuas que conferem magia e história ao local. Quer a praça, como o palácio foram o centro politico e social de Florença durante séculos. Outrora, o enorme sino chamava os cidadãos para o parlamento (encontros públicos) e, actualmente, é uma bela atracção quer para os turistas, como também os fiorentinos. As estátuas que decoram a praça (algumas são cópias) representam os maiores acontecimentos históricos ocorridos na cidade.
 

 

Umas ruas mais à frente, descobrimos outra lindíssima praça, de seu nome Piazza Santa Croce, derivado da basílica que se localiza à entrada da mesma. Este edifício gótico começou a ser construído em 1294 e é aqui que se encontram os túmulos de artistas fiorentinos famosos, como Michelangelo, Galileo e Machiavelli. Também contem frescos do Sec. XIV de Giotto e Taddeo Gaddi.

 

 

Depois de uma primeira visita à cidade que foi muito interessante, apesar do inicio molhado, regressámos ao hotel para descansar um pouco antes do jantar. Mais uma vez recorremos à Bíblia de qualquer turista que se preze, o Tripadvisor. Procurámos um restaurante que tivesse uma boa pontuação, de modo a comermos o prato tradicional desta zona: Bistecca alla Fiorentina (um enorme bife de vaca, mal passado). Encontrámos um restaurante na Via Guelfa, relativamente perto do nosso hotel, chamado Trattoria La Gratella (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187895-d1174489-Reviews-Trattoria_La_Gratella-Florence_Tuscany.html), bem referenciado no Tripadvisor. Lá fomos para o restaurante, com a esperança de saborear o referido bife. O ambiente e a decoração eram tipicamente italianos, em tons de amarelo e vermelho. Uma jovem, muito simpática e expedita, arranjou-nos uma mesa e trouxe-nos o menú. Íamos lançadas para escolher a bistecca, mas a mesma só era confeccionada para duas pessoas, visto que o pedaço de bife tinha sensivelmente 1 kg, custando a módica quantia de 40€. Como cada uma de nós queria comer o seu bife separadamente, optámos pelo mesmo prato, que parecia muito interessante: Trippa alla Fiorentina. Convem explicar que a refeição em Itália é constituída por entrada, primeiro e segundo pratos e sobremesa, acompanhados por um bom vinho italiano. Este segundo prato típicamente toscano é feito de tripas de vitela, servidas quentes, num autêntico caldo de tomate (assemelha-se às famosas Tripas à moda do Porto). Estava divinal e eu não sou muito fã de entranhas de animais. A sobremesa, dividida pelas duas, foi uma fatia de bolo coberta de chocolate que eu comi como se não houvesse amanhã. Para finalizar o jantar, foi nos oferecido um lemoncello (um hábito em restaurantes italianos) e tudo pelo valor simpático de 12,50€.

 

 

Um grande final de dia, sem dúvida. Programa para o dia seguinte: Sena.

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 275-309.