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Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Adeus Portugal... Buon giorno, Milano

3 de Agosto de 2017.

Eu e a minha companheira de viagem, Joana, chegamos ao Aeroporto da Portela por volta das 07:30h. A partida para Itália estava marcada para as 09:05h através de um vôo pela TAP, reservado e pago com alguns meses de antecedência (regra n.º 1: poupança de dinheiro em viagens longas). 

O check-in foi rápido e sem incidentes (os bilhetes de avião estavam guardados na wallet do meu Iphone), o que nos permitiu avançar logo para a revista das bagagens (regra n.º 2: poupança de tempo no aeroporto quando se faz o check-in online).

Assim que entrei no avião que nos transportaria para Itália, senti as batidas do meu coração... talvez a excitação de uma nova descoberta ou a ansiedade normal de quem viaja de avião, quem sabe? Até poderiam ser as duas sensações juntas que estavam a acelerar o meu lento coração. Confesso que a insegurança registada em vários países da Europa, devido aos diversos atentados terroristas em grandes cidades turisticas, também mexia com os meus nervos. Viajar é cada vez mais um risco que se corre, apesar de todas as experiências memoráveis que esse acto pode trazer. Contudo, a escolha é fácil...entre gozar as férias de Verão no país onde resido ou gozar numa cidade de um país diferente, prefiro sempre a segunda opção. Para mim, viajar é uma enorme limpeza da alma, o corpo fica energizado e a oportunidade de viver novas experiências é gratificante. 

O avião descolou no horário previsto e o vôo decorreu normalmente, sem incidentes. A TAP tem vindo a melhorar os seus serviços desde 2014 (ano em que viajei para a Grécia e tive de esperar três horas no aeroporto de Milão para regressar a Lisboa), pelo que nada havia a apontar a esta companhia. E perguntam vocês: porquê iniciar a viagem por Milão? Muito simples...os bilhetes para esta cidade foram extremamente baratos (porque foram comprados com muita antecedência). Por isso, resolvemos fazer de Milão o nosso destino de vôo de partida e chegada para Lisboa.

Assim que chegamos ao Aeroporto de Malpensa (que fica a 50 kms de Milão), fomos invadidas por um intenso calor. O edificio do aeroporto estava fresco, mas o calor sentido previa que a primeira paragem desta viagem italiana seria insuportável...mas isso fica para mais tarde. 

Escolhemos o comboio como meio de transporte para chegarmos a Milão. Cada uma arrastou a sua bagagem até ao local de onde partiam os comboios. A companhia era a Trenitália (http://www.trenitalia.com/) e o bilhete custou-nos 13 euros. A viagem decorreu normalmente, e, embora houvesse ar condicionado nas carruagens do comboio, o  calor sentia-se e eu já estava a ficar suada.

Assim que chegamos à gigantesca Estação Central de Milão, fomos imediatamente comprar os bilhetes de comboio para o Lago Como e para Veneza no serviço de cliente da Trenitália. Esta empresa de transportes ferroviários não é a melhor deste país... aliás, até é bem fraca comparativamente com a Frecciarossa e a Italo (a melhor de todas). Carruagens velhas e sem ar condicionado são alguma das críticas mais evidentes a apontar, para além da falta de pontualidade dos comboios e do preço exorbitante dos bilhetes. Este serviço da Trenitália na Estação Central de Milão estava congestionado de turistas que também estavam como nós... às aranhas! Um funcionário encontrava-se em frente aos balcões de atendimento, entregando senhas de chegada às pessoas, assim que chegavam.

Aproveitamos a enorme fila para os diversos balcões de atendimento e fomos comprar o bilhete para o Lago Como, que seria o nosso primeiro "bate-volta" em Itália. A viagem seria feita no dia seguinte e custou-nos, se bem me lembro, perto de 10 euros (ida e volta). De seguida, voltámos à enorme fila com o intuito de comprar o bilhete para Veneza. Apesar de existirem máquinas de venda de bilhetes das três empresas ferroviárias já mencionadas (que também estavam congestionadas de turistas) por toda a estação, preferimos, achávamos nós, comprar o bilhete no balcão da Trenitália. Há medida que esta viagem foi progredindo, concluimos que compensava mais comprar nas máquinas. 

O funcionário da Trenitália que nos vendeu os bilhetes ao balcão era a versão italiana de um típico funcionário de um qualquer serviço das Finanças em Portugal... em final de carreira, cansado e rabugento. Apesar de ter ficado agradavelmente surpreendida com a simpatia inata do povo italiano, esta primeira interacção foi um autêntico pesadelo. O meu italiano era extremamente básico... só sabia dizer buon giorno e grazie mille. O inglês do funcionário era extremamente pobre, pelo que o nosso entendimento era muito complicado. Para além do problema da linguagem, o dito senhor também se contradizia nas informações que nos prestava... atrevo-me a dizer que ele queria nos passar um atestado de estupidez e isso despoletou a minha impaciência e raiva. Por fim, conseguimos comprar o bilhete para Veneza, que custou a módica quantia de 45 euros...o primeiro roubo em Itália. Viemos a constatar que a viagem não valia tanto dinheiro.

Saímos da estação e fomos abraçadas por um calor intenso e abafado e ainda tinhamos que encontrar o hotel. Felizmente a nossa procura foi curta e, vinte minutos depois, conseguimos chegar ao Hotel Windsor Milano (https://www.booking.com/hotel/it/windsor.pt-pt.html), que ficava na Via Galileo, numa esquina, em pleno coração financeiro de Milão. Nas redondezas, encontravam-se diversos arranha-céus espelhados e modernos, que contrastavam com algums edificios históricos. Este hotel ficava bastante perto da Piazza della Republica, onde se situava a linha amarela do Metro que nos levava à Piazza del Duomo (o centro histórico e muito turistico de Milão). Também existia uma paragem de eléctrico em frente ao hotel que tinha ligação com o centro histórico. Concluindo, o nosso alojamento em Milão não poderia ter sido melhor. O hotel, de quatro estrelas, tinha uma receção charmosa e o nosso atendimento foi simpático e prestável. Ficámos instaladas no quinto andar num quarto maravilhoso.   

 

Imperavam as cores sóbrias do pastel, do cinza e do azul escuro, numa combinação clássica e subtil que nos transmitia tranquilidade. O quarto era grande, com duas camas separadas, uma pequena mesa e duas cadeiras, um armário e um móvel em frente às camas, onde se encontrava a televisão. A casa de banho era moderna, iluminada e limpa... quase luxuosa. O wi-fi gratuito era bom e o mini bar, com garrafas de água e refrigerantes, também era gratuito. O ar fresco que saía do ar condicionado era muito bem-vindo. Aproveitei para beber uma garrafa de água gelada do mini bar e deitei-me na cama imaculada para descansar. Continuava a suar em bica e o meu corpo precisava de descanso. 

Joana encontrava-se deitada, entretida a ver o mapa da cidade. Estávamos ansiosas para ver o centro histórico da cidade, mas também queriamos ganhar forças para voltar a enfrentar o calor abrasador. Outro local que queriamos visitar era Naviglio Grande, onde se encontrava a Ripa di Porta Ticinese, um pequeno bairro pitoresco com canais e pontes, parecido com Veneza, e que tinha sido aconselhado por um amigo italiano de Joana.

Para evitar o calor insuportável que imperava nas ruas, resolvemos apanhar o metro na linha amarela da Piazza della República, que ficava muito perto do hotel. Esta estação também era uma estação de comboios, pelo que demoramos algum tempo para encontrar o metro. Cada bilhete custava 1,50€ e lá fomos para a estação de Duomo, a nossa primeira paragem obrigatória para visitar a cidade.

Milão é um autêntico centro da moda e dos negócios, sendo uma cidade muito urbana e, essencialmente financeira. Mais do que atractiva, é uma cidade inteligente, bem afortunada e extremamente cara. A sua designação provém de duas palavras latinas: medio planum, que significam no meio do plano. Tornou-se num enorme centro de trocas e de rotas transalpinas e um prémio para as dinastias italianas mais poderosas. Milão, na minha perspetiva, é uma cidade cosmopolita, com alguns toques históricos, mas onde impera o estilo e a imagem. Tirando o centro histórico, não é uma cidade de se tirar o fôlego.

Assim que saímos da estação de metro, fomos atingidas pela grandiosidade da Piazza del Duomo (http://www.duomomilano.it/en/section/visit-the-duomo/dcffa929-1d39-41db-818c-c19c1d8a0d84/), um enorme rectângulo onde se encaixa numa perfeita harmonia a Catedral, a gloriosa Galeria Vittorio Emanuelle II e o Palazzo Reale, que alberga o Museo della Reggia.

A Catedral de Milão é uma das maiores igrejas góticas do mundo. A sua construção data do séc. XIV, graças ao Princípe Gian Galeazzo Visconti, embora só tenha sido finalizada 500 anos depois. A fachada espelha uma mistura de estilos interessante, desde o gótico, passando pelo Renascentismo e pelo Neo-Clássico. Em suma, é um portento para os olhos. Para entrar neste edificio, bem como no Palazzo Reale, é necessário pagar 6 euros. 

 

 

A Galeria Vittorio Emanuelle II também não fica atrás na grandiosidade. Sendo a porta para a Piazza del Duomo e para a Piazza della Scala, também funciona como um luxuossímo centro comercial, onde se encontra o chamado Quadrilátero da Moda, onde diversas marcas têm a sua loja. Este edificio é conhecido como Il Salotto de Milano (a sala de desenho de Milão) e foi desenhado pelo Arquitecto Giuseppe Mengoni em 1865, tendo sido inaugurado em 1877. É um edificio que alberga diversas lojas, cafés e restaurante chiques (Gucci, a Gelataria Amorino e o Savini, um dos restaurantes mais históricos de Milão).

 

 

O chão desta Galeria tem a forma de uma cruz latina, com um centro octagonal adornado de mosaicos representando quatro continentes: Europa, América, África e Ásia, juntamente com outros que representam a Arte, Agricultura, Ciência e Indústria. O telhado é feito de metal e vidro, coroado com uma magnífica cúpula central. Foi o primeiro edificio em Itália a utilizar o metal e o vidro como estrutura e não como decoração.

 

 

O Palazzo Real, atual Museo della Reggia (http://www.museodelnovecento.org/it/), completa o luxuoso triunvirato desta praça. Antiga residência de vários governantes de Milão, este edificio alberga exibições de arte temporárias e outros eventos. 

 

 

O Teatro alla Scala (http://www.teatroallascala.org/en/index.html), localizado na Piazza della Scala, foi inaugurado em 1778 e é uma das mais prestigiadas casas de ópera do mundo. Tem um dos maiores palcos da Europa, onde recebe produções sumptuosas. Também alberga o Museo Teatrale, onde estão expostos os cenários e roupas de antigas produções, bem como objetos teatrais que datam do tempo romano.

 

 

Depois de visitada a praça mais turística de Milão, resolvemos caminhar pela Via Dante (uma espécie de Avenida da Liberdade), que nos conduziu ao Castelo Sforzesco (https://www.milanocastello.it/), imponente e com uma lindíssima fonte que jorrava água de uma forma espectacular. O sol começava a desaparecer no horizonte, o que tornava o cenário ainda mais esplendoroso.

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Este castelo renascentista foi construido a mando do governante Francesco Sforza, no mesmo local onde tinha sido edificado outro castelo pela familia Visconti, tendo sido demolido no séc. XV.

Depois de refrescar os pés na fonte mesmo frente à entrada do palácio, lá fomos à descoberta do mesmo, mas para nossa surpresa, o mesmo já se encontrava encerrado para visitas. Só visitamos alguns pátios exteriores do castelo, que eram vastos. 

 

 

Pelo interior do castelo, poderiamos acessar ao Parco Sempione, uma enorme zona verde onde despontava um lago, onde se poderia ver patos e tartarugas. Uma delas até se aproximou da Joana, mas fugiu logo de seguida. Apesar de ser vasto e frequentado por muita gente, não me senti segura porque presenciei algum tráfego de drogas em pleno parque. A minha vontade de passear desvaneceu, pelo que resolvemos sair o mais depressa possível do local.
 

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Dirigimo-nos à estação de metro de Cadorna, muito perto do castelo, onde iriamos apanhar a linha verde até ao bairro de Naviglio Grande, mais concretamente à Ripa di Porta Ticinese, onde se encontrava alguns canais, que se assemelhavam a Veneza. Nem imaginávamos que iria tornar-se numa dolorosa experiência.

Parámos no local para beber um aperitivo e comer um buffet livre, tudo pela módica quantia de 10 euros, num bar chamado Village Café (https://www.facebook.com/Villagecafenavigli/?hc_ref=ARRgjSKHtnjahuzCArlcd6M9FLGpE4l2Oi6r-Cy2WYP55mdWL1Vttpk8ZUoCIRA9K1o&pnref=story), mesmo junto a um dos canais.

Pedi uma caipirinha e comi alguns salgados quentes e frios, com massa e salada. Era moda em Itália ir a alguns bairros e beber um aperitivo, acompanhado de um buffet livre, ao final da tarde. É barato e não se come mal.

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Contudo, e como estava junto ao canal, senti imensas melgas no ar, o que me impedia de desfrutar do jantar. Finalizado o mesmo, passeamos um pouco pelos canais, com diversos bares e restaurantes em cada margem, mas o calor que ainda se fazia sentir e as melgas que andavam no ar não ajudavam a caminhar. 

Depois de um dia agitado, com a viagem  e o passeio pelo centro histórico de Milão, chegámos ao hotel cansadas, mas realizadas. Um duche fresco antes de dormir ajudou a relaxar o meu corpo cansado. Mais uma coisa que comecei a fazer nesta viagem...tomar um poderoso duche fresco antes de dormir, é mesmo remédio santo para o corpo e mente. Mas o pior ainda estava para vir...

 

Fonte: DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 196-198.

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