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Viagens sem Fronteiras

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Bistecca alla Fiorentina...finalmente!

12 de agosto de 2017.

 

Este dia seria integralmente passado em Florença, visitando outros locais desta magnifica e histórica capital da Toscânia. Os dias de dor e comichão intensa vividos no início da viagem já estavam ultrapassados.

Depois de tomado o pequeno-almoço no hotel, eu e a Joana dirigimo-nos ao ponto mais importante da cidade: a zona histórica (Duomo, em italiano). A distância entre o nosso hotel e o centro histórico era curta. O nosso objetivo neste dia era conhecer e apreciar a zona junto ao Rio Arno, composta por diversas pontes, bem como a outra margem, onde se situavam edificios históricos, como o Palazzo Pitti.

Voltamos a apreciar as ruas de Florença, repletas de belos edificios que nos transmitiam história e grandiosidade. A Piazza della Signora já estava apinhada de turistas, apesar de ser relativamente cedo. Havia uma enorme concentração de pessoas junto à Galleria Uffizi, em longas filas de espera, para poderem visitar as exposições. Estes amantes da arte renascentista eram persistentes e não arredavam pé das filas...e elas iam aumentando consideravelmente.

A própria praça era habitada por artistas, tal como acontece em qualquer cidade turistica, desde pintores, músicos e até mimos! Sim... havia quem se dedicasse à arte da mímica com muito talento e dedicação. Não era qualquer um que se mantinha parado durante horas como se fosse uma estátua, vestido e pintado da cabeça aos pés. E com o calor intenso que pairava no ar...gabei-lhes a coragem!

 

 

Mas não eram somente os humanos que circulavam nesta histórica e enorme praça... também existiam muitos cavalos, que animavam o negócio dos coches. Tal como se podia apreciar Veneza, numa outra perspectiva, através das gôndolas, também se poderia visitar o centro histórico de Florença bem sentadinho num coche. Claro que não desfrutei destes passeios porque sou uma turista pobre e o dinheiro não dava para tudo. Mas era engraçado ver os cavalinhos muito aprumados a comer e a beber sofregamente, como se não existisse amanhã. Querem trabalho?! Deêm-me comida!

 

 

Com o estômago a dar sinal de necessidade de alimento, resolvi comer uma consistente salada (e quando digo consistente, quero dizer enorme), num restaurante com uma designação deveras peculiar e british: Queen Victoria. Este restaurante (https://www.tripadvisor.com/Restaurant_Review-g187895-d2486114-Reviews-Ristorante_Queen_Victoria-Florence_Tuscany.html) estava apinhado de pessoas devido à boa oferta gastronómica do mesmo, desde a referida salada, passando por comida italiana, gelados, entre outros. Apesar da consistência da salada, acho que o preço de 8,50€ foi um exagero. Achei-a cara demais para a salada normal que era. Ainda se fosse gourmet...mas não. Mas como o estômago já roncava de fome, decidi comê-la na mesma. Fiquei atestada até praticamente à hora de jantar, onde iria cometer mais um acto de loucura (mas isso fica para depois).

 

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Depois do momento de almoço, dirigimo-nos e atravessámos o Rio Arno, através da Ponte Vecchio (Ponte Velha). Esta ponte tem a particularidade de ser feita em arco medieval e de ter uma quantidade de lojas (principalmente ouriversarias e joalherias) ao longo da sua extensão. Acredita-se que a sua construção seja datada da Roma Antiga, sendo originalmente feita de madeira. A mesma foi destruída por cheias em 1333 e reconstruída em 1345, de acordo com um projecto de Taddeo Gaddi. Constitui-se de três arcos, sendo o maior com 30 metros de diâmetro. Sempre albergou lojas e mercadores que mostravam as mercadorias sobre bancas, sempre com a autorização do Bargello, a autoridade municipal de então. Diz-se que a palavra bancarrota teve ali origem. Quando um mercador não conseguia pagar as dívidas, a mesa (banco) era quebrada (rotto) pelos soldados. Essa prática era chamada bancorotto. Esta ponte não foi danificada pelos alemães na 2ª Guerra Mundial, por ordem directa de Hitler...acredita-se. 

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O busto que se pode verificar nesta mesma ponte é de Benvenuto Cellini, um artista/escultor/escritor do Séc.XVI, considerado o ourives mais importante de Firenze. Sua obra mais famosa é o “Perseus com a Cabeça de Medusa” localizada na Loggia dei Lanzi na Piazza della Signoria. Este busto foi feito em bronze por Raffaello Romanelli em 1901.

Através das janelas de Mussolini, que o mesmo mandou abrir no centro da ponte, para que Hitler pudesse admirar o panorama oeste do Rio Arno, também se observa outra belissima ponte: a Santa Trinitá. Tem esta designação por causa da igreja vizinha com o mesmo nome. Com o peso da multidão que assistia a um espectáculo sobre o rio, rompeu-se em 1259, tendo sido refeita pelos arquitectos Giovanni e Ristoro. Foi reconstruída em pedra, mas cedeu sob a pressão das cheias de 1333, que poupou apenas a Ponte alle Grazie. A reconstrução posterior foi lenta e durou meio século, começando só em 1346 e, dada a falta de importância dessa ponte, concluída em 1415. Outra inundação, em 1557, varreu a ponte, mas permitiu a construção da estrutura de hoje. O projeto durou 10 anos, aparentemente com a ajuda do desenho de Michelângelo, que sugeriu a moderna linha de três arcos elípticos. Sem falar das colunas brancas sobre os arcos e também das quatro estátuas alegóricas que decoram os cantos, representando as quatro estações, colocadas lá em 1608. A ponte foi destruída pelos alemães em retirada em 1944, e reconstruída anos depois no mesmo lugar onde estava e exatamente como era, sendo reinauguranda em maio de 1958. 

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Próxima desta ponte, encontra-se a Piazza de Pitti, com o palácio com o mesmo nome a surgir com toda a sua grandiosidade. Pelo menos, foi possível perscrutá-lo pelo lado de fora e descansar um pouco debaixo da sua sombra. O Palazzo Pitti (http://www.imuseidifirenze.it/palazzo-pitti/) é constituido por diversas galerias e museus e um enorme e belo jardim, o Il Giardino di Boboli, com entrada paga...infelizmente. Este enorme palácio é um dos maiores exemplos da arquitetura em Florença. Originalmente, o palácio foi construído pela família Pitti em 1457, por Filippo Brunelleschi e realizado pelo seu aluno, Luca Fanelli. Na altura, foi feito para ser a maior residência da cidade. No entanto em 1464, a construção foi interrompida devido aos problemas financeiros de Luca Pitti. O edifício original incluía apenas a parte central do edifício atual, as 7 janelas centrais no primeiro andar. Por detrás da belissíma fachada principal, encontra-se o referido jardim, encomendado a Niccolo Tribolo, em 1551. De grandes dimensões, em torno do eixo do jardim principal, desenvolvem-se avenidas, sebes, terraços adornados com estátuas e fontes que o torna num autêntico museu a céu aberto, existindo também vários edifícios de suma importância que ocupam parte dos jardins,  como um anfiteatro, onde depois foram encenadas grandes produções teatrais com elaborados cenários para a nobreza florentina.

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Estávamos em plena zona de Oltrarno, conhecida pelos históricos bairros de Santo Spirito e San Frediano. Habitada pela grande maioria dos fiorentinos, esta zona é escolhida pelos turistas pela sua autêntica atmosfera e pelos seus quarteiros cheios de vida, sendo o ponto de encontro de excelência de intelectuais, artistas e boémios.

A Piazza Santo Spirito foi construída na segunda metade de 1200, por forma a receber os fiéis que acompanhavam e rezavam com os frades augustinos, responsáveis por um convento com igreja dedicado a Santa Maria d'Ognissanti e allo Santo Spirito. Esta igreja acabou por se tornar conheciada somente por Chiesa di Santo Spirito, que também deu nome a esta praça.

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Nesta mesma praça, localiza-se a esplêndida Basílica di Santo Spirito, desenhada por Fillipo Brunelleschi em 1444, tendo sido a sua última obra-prima. Quando este morreu, o projecto foi passado para Antonio Manetti, Giovanni da Gaiole e Salvi d'Andrea, que acabou a igreja no final de 1400. A sua fachada nunca foi acabada e actualmente está desprovida de qualquer ornamento de decoração. No entanto, o seu interior é conhecido pelas suas peças de decoração de artistas como Fillipino Lippi, Maso de Banco, entre outros.

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Também nesta praça, localiza-se o elegante Palazzo Guadagni, também conhecido por Palazzo Dei, cujo nome provinha da familia responsável pela sua construção em 1500. Este palácio tinha um pórtico no nível superior, onde se poderiam encontrar muitos aristocratas fiorentinos.

Na Via di Cestello, próximo da Ponte Alla Carraia, encontra-se a Chiesa de San Frediano in Cestello, uma igreja católica do estilo barroco. Anteriormente no mesmo local, tinha existido uma igreja anexa ao convento das carmelitas, Santa Maria degli Angeli. 

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Depois de um longo dia de passeio, suor e muito calor, o jantar foi, provavelmente, o melhor momento do dia. Mais uma vez, tinhamos algo bem preciso para comer: a famosa Bistecca alla Fiorentina. Mais uma vez, socorremo-nos do TripAdvisor e descobrimos um restaurante que poderia satisfazer a nossa pretensão. Ristorante La Grotta Guelfa (https://www.tripadvisor.pt/ShowUserReviews-g187895-d1238481-r511941776-La_Grotta_Guelfa-Florence_Tuscany.html), bem no centro histórico de Florença, localiza-se no fim da Via Pelliceria. Um restaurante com uma bonita e típica esplanada italiana, quer na entrada principal, como lateral, bem como o nome num brilhante néon. Escusado será dizer que estava cheio... óbvio! E novamente com orientais! Não tivemos de esperar muito tempo para arranjar uma mesa...na esplanada que tanto chamava a atenção. A empregada trouxe-nos o menu, mas foi escusado lê-lo de fio a pavio. Sabíamos o que queriamos...Bistecca alla Fiorentina! Não ao quilo, mas sim disposta no prato com batatas e salada. E isso estava num especial menu, com entrada, prato principal e bebida...por 25 euros! Pronto... por uma vez na vida, deixei de pensar à pobre e resolvi comer que nem um lorde. Logo na entrada, cada uma de nós comeu uma bruschetta, regada em azeite e coberta de pedaços de tomate. Estava divinal! Não sou fã de vinho, mas o chianti que estava incluido acompanhava na perfeição a comida que vinha para a mesa. Mas a estrela principal foi, sem dúvida, a bendita bisteca! Quando chegou à mesa, vi um prato com um valente pedaço de carne, mal passado, acompanhado de batatas assadas e uma folha de alface e um pequeno tomate. Não seria preciso mais nada, na verdade. Aquele pedaço de carne era enorme e denso. Só podia cortar pequenos pedaços e tinha que os mastigar várias vezes, senão corria o risco de me engasgar. Escusado será dizer que não consegui comer tudo...o clássico caso de "mais olhos que barriga", que me custou 25 euros! No entanto, e apesar de sentir-me empanturrada, gostei muito de comer a bisteca, porque estava bem cozinhada e era tenrinha. Não fui tão corajosa como a Joana, que conseguiu comer toda a bisteca, mas juro que tentei...mesmo.

 

 

 

 

 

Fontes: 

DK Eyewitness Travel. Italy 2017, pp. 306-307;

https://passeiosnatoscana.com/2016/03/28/palazzo-pitti-tem-8-museus-que-vao-te-surpreender/

http://www.museusdeflorenca.com/palacio-pitti/jardins-boboli/

https://www.visitflorence.com/florence-monuments/piazza-santo-spirito.html