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Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Passeio por Roma em seis horas

1 de agosto de 2018.

Primeiro dia da viagem que iria fazer pela ilha da Sícilia durante 14 dias. Um dia muito cansativo, enervante mas produtivo. Devido à brincadeira da Ryanair de cancelar o vôo das 13:10h de Roma para Catânia na véspera, sem apelo nem agravo, acabei por conseguir o mesmo vôo somente às 22:00h. O problema é que o nosso dia de viagem começou às 06:00h, quando viajamos para Roma pela TAP.

Eu e a Joana chegamos ao Aeroporto de Fiumicino em Roma por volta das 10:30h. Ainda tínhamos doze longas horas pela frente até à viagem que nos levaria para a Catânia, na Sícilia. Decidimos que iriamos aproveitar o intervalo da melhor maneira e isso implicaria visitar Roma. Primeiro, tinhamos de nos livrar das malas. Por 6 euros cada uma, deixamos as malas no "Locker room" do aeroporto e apanhamos o autocarro 14 da Terravision para o centro de Roma (Estação Termini), cuja viagem de 55 minutos custou a módica quantia de dez euros (ida e volta).

Assim que chegámos à Estação Ferroviária de Termini, apanhámos a Linha B (azul) de Rebbibia a Laurentina, visto que tinha uma paragem junto aos famosos Coliseu e Fórum Romano. O bilhete de metro custou 1,50 euros. O metro estava apinhado de turistas, o que não era de pasmar, mas assim que saímos da estação do Coliseu a concentração turística era ainda maior. Sair da estação e ver o Coliseu tão perto é uma sensação indescrítivel. Estava muita gente nas ruas circundantes ao Coliseu e ao Fórum Romano. O calor começava a apertar, obrigando à ingerência de água tal como os camelos. O suor começava a escorrer-me pelas costas, mas estava determinada em ver o máximo possível em seis horas.

A primeira atracção turística que saltava à vista era, sem dúvida, o semierguido Coliseu. Construído por ordem do imperador Vespasiano e concluído, durante o governo de seu filho Tito, é um dos mais grandiosos monumentos da Roma Antiga. A sua construção foi feita sobre o lago da casa de Nero, a Domus Áurea, e ficou conhecido como Colosseo (Coliseu) porque ali foi achada a estátua gigante (colosso) do imperador. Reza a história que os gladiadores lutavam na arena e que o Coliseu era o lugar onde os cristãos eram lançados aos leões. As atividades do Coliseu foram encerradas em 523 d.C., mas o espaço permanece carregado de uma clima misterioso e símbolo do Império Romano e da cidade eterna.

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Não vi o interior do Coliseu porque não poderia perder tempo em filas intermináveis, mas deu para tirar a fotografia da praxe. Mesmo em frente ao Coliseu, encontra-se o Fórum Romano, uma área arqueológica entre a Piazza Venezia e o Coliseu, e atravessado pela Via dei Fori Imperiali. Originalmente ocupada por pântanos, a área do Fórum foi recuperada por uma das primeiras obras urbanas da Roma antiga, a Cloaca Maxima, um grande sistema de drenagem de água, de modo que no final não restava nada a não ser uma lagoa, o Lacus Curtius. Neste local, estão reunidos praticamente todos os principais edifícios públicos e sagrados da República Romana: os templos romanos mais antigos, como Saturno ou santuários dos Dioscuri em diferentes igrejas como a Basílica de Julia e a Basílica de Emilia, a mais antiga. 

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Ver este espaço do lado de fora e a correr não lhe faz qualquer justiça. Mais um motivo para regressar a Roma numa próxima viagem para poder palmilhar com detalhe este fórum. Continuando a caminhar pela Piazza Venezia, um dos principais centros nevrálgicos do sistema de transportes de Roma e onde se intersectam diversas avenidas como a Via dei Fori Imperiali e a Via del Corso. A praça fica no sopé do Monte Capitolino, perto do Fórum de Trajano. Esta praça é dominada pelo enorme Monumento a Vittorio Emanuele II ("Il Vittoriano", uma homenagem ao primeiro rei da Itália unificada). Este esplêndido monumento foi inaugurado em 1911, por forma a homenagear Vittorio Emanuele II, primeiro rei de Itália depois da unificação. Alías, não há uma rua em Itália que não tenha este nome na toponimia. Desde 1921, este monumento abriga a tumba do soldado desconhecido, um lugar onde brilha a chama eterna e que está sempre guardado por dois soldados. Tem cerca de 135 metros de largura e 70 metros de altura e é composto por dezenas de majestosas colunas coríntias e intermináveis escadas, tudo em mármore branco. Uma escultura equestre de Vittorio Emanuele feita em bronze preside o conjunto e duas quadrigas guiadas pela deusa Vitória coroam o pórtico de 16 colunas. Na altura da sua construção, o monumento foi muito criticado porque foi necessário derrubar diversos edifícios de grande valor para deixar o espaço livre, e os italianos não gostaram da ideia de instalar um edifício tão chamativo e imponente junto aos edifícios clássicos que o rodeiam. Confesso que fiquei de boca aberta a observar o dito monumento... eu e mais uns milhares de turistas.

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Junto a este monumento encontra-se a Piazza Colonna, uma praça rectangular rodeada por imponentes edifícios. Numa das laterais da praça, encontra-se uma fonte construída em 1577 por Giacomo della Porta, na qual se podem ver dois grupos de golfinhos com as caudas entrelaçadas. Na Piazza Montecitorio, situada a poucos metros desta praça, está a sede do Parlamento, bem como a Coluna de Marco Aurélio, erigida entre os anos de 176 e 193 após a morte deste imperador. A coluna foi construída com um relevo em espiral, semelhante ao da Coluna de Trajano. Na parte superior, existe uma estátua de bronze de São Paulo que foi colocada ali em 1589.

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Há medida que avançávamos pelo coração de Roma em busca da afamada Fontana di Trevi, deparamo-nos com a melhor gelataria do mundo (para mim): Venchi. Como o calor apertava e a necessidade de repousar durante alguns minutos num local super fresco ia aumentando, resolvemos entrar nesta magnífica gelataria para comer um gelado. Mas atenção... não era um gelado qualquer, mas sim o gelado!

Esta gelataria é muito charmosa, diria mesmo luxuosa. Havia chocolate por todo o lado e para todos os gostos. Os sabores para o gelado eram tantos, possibilitando combinar diversos sabores... todos eles Made in Italy e utilizando as conhecidas técnicas de se fazer chocolate de Piedmont. Só sei que comi o melhor gelado da minha vida! Os sabores eram de chocolate e o cone do gelato era crocante, com o chocolate a derreter-se na boca de uma forma divinal. Gastei 5,40€, mas foram muito bem gastos. Durante alguns minutos morri e fui ao céu.

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Depois de satisfazer a gula, retomámos a nossa caminhada em busca da Fontana di Trevi. Fica localizada na Piazza di Trevi, encostada à fachada do Palazzo Poli. É a fonte mais bonita e emblemática de Roma, com 20 metros de largura por 26 metros de altura. A sua origem remonta ao ano 19 A.C., época en que esta fonte constituía o final do aqueduto Aqua Virgo. A primeira fonte foi construída durante o Renascimento, sob as ordens do Papa Nicolau V. O aspecto final desta fonte data de 1762 e o nome Trevi deriva de Tre Vie (três vias), já que a fonte era o ponto de encontro de três ruas. Uma das imagens de marca desta fonte é ver as pessoas atitrarem moedas para a sua água. Este mito nasceu com o filme "A Fonte dos Desejos", de 1954, onde a sua explicação era feita:

- Se uma pessoa jogar uma moeda, voltará a Roma;

- Se uma pessoa jogar duas moedas, encontrará o amor com um(a) italiano(a);

- Se uma pessoa jogar três moedas, irá se casar com a pessoa que conheceu.

E para que estes desejos se concretizem, recomenda-se atirar a moeda, ou moedas, com a mão direita sobre o ombro esquerdo. Acho que não fiz nada disso...simplesmente atirei a moeda para a água. E a enorme manada de turistas que estava em meu redor não me dava espaço de manobra para o gesto em si. Como curiosidade, em cada ano é retirado perto de um milhão de euros da fonte, que depois são utilizados para fins de beneficiência.

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Foi nesta fonte que foi gravada a emblemática cena de Anita Eckberg a ser resgatada por Marcelo Mastroianni no filme de 1960, La Dolce Vita, realizado pelo mítico realizador Federico Fellini.

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Pessoalmente, achei que a fonte era pequena... mas poderia ser um mero efeito óptico, visto que estava encharcada de turistas. Mas não deixa de ter uma fachada líndissíma, que faz jus ao seu sucesso. Também serve como um excelente pano de fundo para as fotografias da praxe e para as poses ridículas de muita gente (onde me incluo, como é óbvio). Achei piada a três espanholas que se esmeraram em tirar fotografias de portefólio junto à fonte. Estavam vestidas e maquilhadas a preceito e, claro, não faltou a boquinha de pato tão normal nas fotografias actualmente. Poderia se ler nas testas delas: "Eu sou tão boa!", e de facto, eram boas em posar para a máquina. Bem tentei replicar a pose, mas saiu isto:

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Depois da azáfama junto à fonte, fomos à procura do Panteão de Agripa, uma das maiores obras-primas da arquitectura romana, localizada na Piazza della Rotonda, entre a Fontana di Trevi e a Piazza Navona. Foi construído durante os tempos de Adriano, no ano de 126 D.C. O seu nome deriva do facto que no mesmo lugar existira um panteão com o mesmo nome, construído no ano de 27 A.C. e destruído por um incêndio no ano de 80 D.C. No início do Séc. VII, foi doado ao Papa Bonifácio IV, que o transformou numa igreja, o que contribuíu para o seu perfeito estado actual de conservação. As medidas deste panteão são surpreendentes: o edifício circular tem 43,30 metros de diâmetro, exatamente o mesmo que a sua altura. A cúpula, com o mesmo diâmetro, é maior que a Basílica de São Pedro. No centro da cúpula abre-se um óculo de 8,92 metros de diâmetro, permitindo que o edificio seja iluminado com luz natural. A fachada retangular, que oculta a enorme cúpula, é composta por 16 colunas de granito de 14 metros de altura, sobre as quais se pode ver a inscrição “M.AGRIPPA.L.F.COS.TERTIVM.FECIT”, que significa “Marco Agrippa, filho de Lúcio, cônsul pela terceira vez, o fez”. 

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O interior deste edifício não fica nada atrás, em termos de espectacularidade, do seu exterior. É aqui que se encontram as tumbas de diversos reis de Itália, incluindo o famoso Vittorio Emanuele II, e diversas obras de arte.

Depois da visita ao portentoso panteão, dirigimo-nos à extensa e maravilhosa Piazza Navona, a praça barroca mais bonita de Roma. Ocupa o lugar onde, outrora, se situava o estádio de Domiciano (Circo Agonal) no ano 86, com espaço para mais de 30.000 pessoas, e onde poderiam assistir aos jogos atléticos gregos. A maior atração desta praça são as três fontes construídas, sob o mandato de Gregorio XIII Boncompagni: 

- Fontana dei Quattro Fuimi (A Fonte dos Quatro Rios), construída por Bernini em 1651. As quatros estátuas da fonte representam os quatros rios mais importantes da época: o Nilo, o Danúbio, o Ganges e o Rio de Prata.

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 - Fontana del Moro (A Fonte do Mouro), criada por Giacomo della Porta e aperfeiçoada por Bernini, que posteriormente incluiu os golfinhos. Localiza-se na parte sul da praça.

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- Fontana del Nettuno (A Fonte de Neptuno), também foi criada por Giacomo della Porta, mas permaneceu abandonada desde a sua criação até 1873, quando foi finalizada.

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A praça é constituída por diversos restaurantes e artistas de rua, conferindo animação ao local a qualquer hora do dia, sendo que os seus edificios mais importantes são o Palazzo Pamphilli e a Igreja de Santa Agnes.

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Eram 16:00h e resolvemos parar para comer qualquer coisa. A última refeição que tivemos foi durante o vôo para Roma. O meu estômago já roncava e o calor piorava mais a situação. Uma refeição em Roma não é própriamente barata, por isso recorremos ao McDonalds, junto à praça. No entanto, nesse dia, Roma fora invadida por imensos grupos de jovens vindos dos mais diversos países por causa de um evento que iria acontecer nos dias seguintes. Escusado será dizer que muitos deles lembraram-se em comer no McDonalds ao mesmo tempo que nós. O timing foi mesmo perfeito (estou a ser irónica)! Joana conseguiu arranjar uma mesa e eu fui para a fila buscar os nossos pedidos. Estive perto de meia hora à espera para receber os pedidos que fizemos, metida na horda de miúdos que se aglomerava à minha volta... bolas, senti-me velha! O que não faço por um hamburguer de frango...

Antes de voltar à Estação Termini para apanhar o autocarro de volta para o Aeroporto, fomos à procura da Piazza di Spagna, designação dada devido à localização da embaixada espanhola junto à Santa Sé na referida praça desde o inicío do Séc. XVII. Esta praça situa-se na Via dei Condotti (rua das compras), Via Frattina e a Via del Babuino (com vários palácios dos Séculos XVII e XVIII). É conhecida pela sua escadaria, datada do príncipio do Séc. XVIII, para ligar a praça à Igreja de Trinitá dei Monti. Também utilizada pelo mundo da moda, por é aqui que acontece o desfile Donne Sotto le Stelle, em meados de julho. E também dá jeito para quem quer se sentar e descansar um pouco, depois de um passeio de quase seis horas debaixo de um sol escaldante.

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O passeio chegava ao fim e o meu corpo só podia um pouco de descanso antes de apanhar o próximo vôo. Estava cansada, suada e algo ansiosa pela viagem para Catânia. Não gosto de vôos nocturnos, confesso. O vôo da Ryanair partiu às 22:10h com alguma turbulência. Por vezes, as luzes apagavam-se, o que contribuía para o aumento da minha ansiedade. Uma hora depois, o avião aterrava no Aeroporto de Catânia para meu alívio. Mas a aventura ainda não tinha acabado.

Conseguimos apanhar um autocarro da Alibus que nos levava para a Estação Central, cujo bilhete custou 4 euros, e daí teriamos que encontrar o nosso alojamento pelos nossos próprios meios. Era noite cerrada quando chegámos à estação. O alojamento não ficava muito longe, mas não sabíamos qual a direção a tomar. Em frente da estação, situava-se uma enorme rotunda com várias saídas. Nesse momento, percebi que é preciso ter muito cuidado com os automobilistas italianos porque eles não sabem o que é uma passadeira. Aliás, não sei que código de condução eles conhecem, mas não deve ser igual ao nosso. Fomos abordadas por um taxista manhoso que tentava saber para onde íamos, mas não lhe demos muita conversa. Tentámos, com a ajuda do Google Maps, encontrar a localização do alojamento, mas parecia que nos estávamos a afastar cada vez mais do mesmo. Concluindo... pareciamos umas baratas tontas com os nossos trolleys a percorrer a rotunda de um lado para o outro. Até estávamos a perturbar o negócio noturno de algumas empresárias da noite que por ali andavam, vestidas a preceito. Um automobilista parou e perguntou-nos onde era o nosso hotel... talvez na vã esperança de conseguir qualquer coisa, sei lá... acho que as ditas senhoras da noite não gostaram muito da conversa. Eu só queria fugir daquela rotunda, por isso voltámos à estaca zero...estação central e o mesmo taxista. Ok, já estávamos exaustas e só queriamos tomar um bom banho e dormir, por isso pedimos a um dos taxistas que nos levasse ao nosso alojamento, que ficava na Piazza Falcone a 800 metros da Estação! E foi nos cobrado 15 euros por isso! Fomos roubadas? Sim! Mas pronto...só queria mesmo descansar de um longuíssimo dia de viagem. Mais uma lição desta viagem... evitem os taxistas em Itália! Sim, são exímios em chupar dinheiro aos turistas. 

O nosso alojamento, localizado na Piazza Falcone, chamava-se B&B Il Giardino di Piazza Falcone (https://www.tripadvisor.pt/ShowUserReviews-g187888-d2058739-r604924510-B_B_Il_Giardino_di_Piazza_Falcone-Catania_Province_of_Catania_Sicily.html). Fica no rés-do-chão de um palacete ajardinado, com direito a portão e tudo. O dono do alojamento, Alessandro, recebeu-nos com uma enorme simpatia e muitas desculpas. Não tinha lido atempadamente a mensagem que Joana enviara sobre o atraso do nosso vôo. Ficou chocado com o roubo do taxista, mas nada poderia ser feito. Só queria tomar banho e dormir. Mostrou-nos o quarto e falou com a Joana sobre as chaves e a hora do pequeno-almoço. Depois das formalidades e do banho refrescante, finalmente deitava-me numa cama. Não prestei muita atenção ao quarto... isso ficaria para os dias seguintes.

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 Fontes:

https://www.sohistoria.com.br/ef2/roma/p7.php;

https://www.il-colosseo.it/pt/foro-romano-palatino.php

https://www.tudosobreroma.com/monumento-vittorio-emanuele-ii

https://www.tudosobreroma.com/piazza-colonna

https://www.venchi.com/uk/stores/roma-via-del-corso-fontana-trevi

https://www.tudosobreroma.com/fontana-di-trevi

- https://www.tudosobreroma.com/panteao

https://www.wsj.com/articles/SB10001424053111904194604576580581112311012

https://www.tudosobreroma.com/praca-navona

- hhttp://travelthroughitaly.com/fontana-del-moro-piazza-navona-rome/

- https://www.tudosobreroma.com/piazza-di-spagna

 

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