Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Última vista para Florença

14 de agosto de 2017.

 

Último dia na Toscânia, aproveitado para visita à arte e às lojas de souvenirs. A arte ficou por conta da Joana e eu ocupei o meu tempo a fazer compras italianas para a família.

Depois do pequeno-almoço bem instalado no estômago, dirigimo-nos para o sítio do costume: a zona histórica de Florença, mais concretamente a Piazza Della Signori, onde se situava a galeria de arte mais famosa de Itália, Uffizi.

Para quem gosta de apreciar arte, Uffizi é um paraíso na terra. Esta galeria foi encomendada pelo Duque Cosmo I de Médici ao famoso aquitecto Vasari em 1560, por forma a reunir num só local os escritórios (uffici) dos trezes principais magistrados da cidade, que, na altura estavam espalhados por diversos locais de Florença. Neste novo edificio, o duque poderia controlar os magistrados diretamente do Palazzo Della Signoria, que se tinha transformado na nova sede do Governo, de acordo com o status de potência que a cidade alcançara após a conquista de Siena. Vasari projetou um edificio em forma de U com um braço longo a leste, que deveria incorporar a antiga igreja românica de S. Pedro Scheraggio; um tramo curto que assentava na margem do Rio Arno; e outro braço curto a oeste, englobando a Zecca Vecchia, sede do correio por muito tempo que, após o restauro de 1988, foi incorporado ao museu. Os três andares da construção começam com um térreo em loggiato delimitado por pilastras com nichos (só decorados com estátuas a partir de 1842); um segundo andar com janelas; e o terceiro destinado ao uso exclusivo do príncipe. Foi construído com pedra do vale de Mensola, adotando a ordem dórica. Algum tempo depois, Cosmo decidiu unir o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti, nova residência da familia Médici por um caminho particular e elevado, também executado por Vasari, o chamado "Corredor de Vasari", que usava a galeria, a Ponte Vecchio sobre o Arno e uma passarela coberta sobre a rua.

Esta construção completou-se com Francisco I de Médici, que sucedeu a Cosmo a partir de 1574, em 1580. Entre 1579 e 1581, o tecto foi decorado com afrescos, chamados de "grotescos" por causa dos motivos utilizados. E, finalmente, em 1581, Francisco decidiu utilizar a galeria do último andar para reunir a sua coleção de pinturas, estátuas, objetos de arte antigos e modernos, armaduras, miniaturas, medalhas, para deleite de sua família e da nobreza local.

Com o fim da era dos Médici, e com Leopoldo de Lorena-Habsburgo, foi construída uma nova entrada e a abertura das visitas ao público em geral em 1769. Leopoldo propiciou, também, uma reorganização das coleções entre 1780 e 1782, seguindo critérios do Iluminismo. Retiraram-se, então, vários objetos para outros museus, concentrando, na galeria, principalmente, as pinturas e esculturas, ordenadas por escolas. Em 1779, foram trazidas as esculturas da Vila Médici de Roma, um conjunto de esculturas clássicas antigas agrupadas na sala "Niobe".

Entre 1842 e 1856, foram colocadas as vinte e oito estátuas dos nichos externos do edifício, homenageando homens ilustres da Toscânia, como Giotto de Bondone, Nicolau Maquiavel, LeonardoDa Vinci e Donatello. Desde então, poucos acréscimos foram feitos, com apenas uma grande reforma, basicamente restauro, em 1988. Em  1993, um atentado à bomba, de autoria não desvendada, com a explosão de um automóvel carregado de explosivos, danificou alguns ambientes da galeria e do corredor de Vasari. 

Esta galeria divide-se em cerca de cinquenta salas ou ambientes, nomeadas geralmente pelo artista mais importante exposto. Existem salas dedicadas aos maiores artistas do Renascimento, como Leonardo Da Vinci e Rafael, salas com arte clássica da Roma antiga, uma grande coleção de quadros de Sandro Boticelli com suas incomparáveis "Primavera" e "O Nascimento de Vênus", e obras dos maiores artistas do mundo como Michelangelo, Ticiano, entre outros.

Esta galeria, para além de mostrar as maiores coleções de pinturas renascentistas italianas, também permite aos seus visitantes vislumbrar outras obras-primas europeias, vindas da Holanda, Espanha e Alemanha. As pinturas estão expostas numa série de salas, por forma a mostrar o desenvolvimento da Arte Florentina desde a era do Gótico, passando pelo Renascentismo e indo mais além. As primeiras obras encontram-se no 2º andar (e é por aqui que os visitantes devem iniciar sua visita para explorar a coleção por ordem cronólogica. Estão expostos quadros renascentistas famosos nas salas 7 a 18. Algumas obras primas do Renascentismo conhecidas também estão expostos no 1º andar e coleções de outros artistas europeus encontram-se expostos nas salas 44 a 55.

O preço para visitar a galeria é de 20€ (https://www.uffizi.it/en/tickets) em época alta. Claro que as filas para entrar na mesma eram intermináveis, mas sempre havia as agências chicas-espertas que, por um determinado valor mais elevado, possibilitavam uma entrada mais rápida aos turistas. 

Joana resolveu arriscar e lá foi visitar o museu, apesar da longa espera. Como não estava com paciência para esperar em filas intermináveis, resolvi perder o meu tempo nas lojas de souvenirs para comprar alguns presentes para os meus pais e amigos. Consegui despachar-me mais depressa que Joana, que ainda estava mergulhada na arte de Uffizi. Sentei-me nas escadarias da galeria, observando o mar de pessoas que passavam de um lado para o outro. Para além dos artistas de rua que animavam as hostes humanas, também voltei a captar mais uma sessão de fotografias de noivos asiáticos. Juro que eles me perseguem em quase todas as viagens que eu faço!

IMG_6987.JPG

IMG_6990.JPG

IMG_6997.JPG

O almoço ficou a cargo de um pequenissimo espaço chamado Panini Toscani (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187895-d7975400-Reviews-Panini_Toscani-Florence_Tuscany.html), situado em plena Praça do Duomo. Mais uma vez, a fila de turistas para provar a famosa panini era extensa e o espaço, como já foi referido, era pequeno demais para tanta gente. Apesar destes contransgimentos, a espera valia a pena. Antes mesmo de escolher o panini, é feita uma degustação de carnes e queijos, por forma a que o panini seja feito de acordo com o gosto do cliente. O panini é grande e suculento, pelo que no final paguei 8,50€ pelo mesmo e uma coca-cola. A refeição foi feita numas mesas no exterior, em plena praça repleta de turistas, com a companhia de dois casais americanos, amantes de viagens.

Depois de um pequeno descanso no hotel, decidimos passar a tarde na Piazzale Michelangiolo, onde se poderia apreciar uma vista magnifica de Florença, para além de um belissimo pôr-do-sol. Este mirante foi construído durante a revitalização urbana ocorrida durante as décadas de 60 e 70 do século XIX, por causa da unificação do Reino da Itália, na altura em que Florença foi capital (1865-1871). 

O arquiteto responsável por esta construção foi Giuseppe Poggi, e sua intervenção nesta área da cidade consistiu inclusive na realização dos acessos através da avenida que a partir da Piazza Ferrucci chega até a Porta Romana, mas também às rampas monumentais que se abrem a “lungarno” em frente à Torre San Niccolò. Com a sua obra, Poggi presta uma dupla homenagem a Michelangelo: no centro da Praça, situa-se uma cópia em bronze de David, que na sua base apresenta também cópias das estátuas realizadas pelo artista na chamada “sacristia nova” da Basílica de São Lourenço, no centro histórico da cidade. Além disso, a Loggia em estilo “eclético-renascentista” localizada ao longo da avenida, nas costas da escultura foi construída para receber os moldes em gesso das obras-primas do escultor. Mas as exigências turísticas já vivas naquela época, fez com que a sede da Gipsoteca que ali deveria ser instalada se transformasse num luxuoso restaurante- café, existente até hoje.

 

Mais uma vez, apanhei uma sessão fotográfica de um par de namorados asiáticos em pleno acto de romantismo, tendo como pano de fundo o belissimo anoitecer em Florença. 

IMG_7063.JPG

A noite culminaria num jantar, novamente delicioso, no já mencionado La Grotta Guelfa (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187895-d1238481-Reviews-La_Grotta_Guelfa-Florence_Tuscany.html) , onde comi Le tagliatelle ai frutti di mare (Tagliatelle com frutos do mar) e Panna Cotta con Fragole o Cioccolato (Pannacotta com chocolate), que custaram a módica quantia de 17,20€. O dinheiro que se gasta compensa no palato.

IMG_7077.JPG

IMG_7082.JPG

 

Fontes:

DK Eyewitness Travel. Italy 2017;

http://tournatoscana.com/florenca/piazzale-michelangelo-o-mirante-de-firenze/

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.