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Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Um lugar ao sol...no Lido

9 de agosto de 2017.

 

Provavelmente vai ser a crónica mais veraneante desta viagem italiana. Este dia foi literalmente de descanso, de paz e harmonia... e claro, banhos. Ok, foi dia de praia. Porque também mereciamos uns banhos de sol e mar. 

Acordei cedo, novamente. A noite não tinha sido pacífica porque um dos meus maiores pesadelos aconteceu: enxaqueca. Sofro de enxaquecas e ando a ser medicada para ter uma melhor qualidade de vida. Quem padece deste mal, sabe do que falo. Tive de acordar a Joana a meio da noite e pedir-lhe o "santo" brufeno. Talvez o sol que apanhei na moleira no passeio feito horas antes tenha contribuído para o seu aparecimento. Ou então foi mesmo uma estupida coincidência só para me martirizar um pouco mais. As pernas estavam a ficar cada vez mais normais e bronzeadas. Ainda tinha algumas babas, mas já estavam a ficar secas.Os tornozelos estavam normais, mas poderiam inchar como sempre. O dia estava propício ao descanso na praia e, por isso, decidimos rumar a Veneza, apanhar o vaporetto e ir à Praia do Lido.

Não falo do pequeno-almoço, porque continuou a ser deprimente. O autocarro não estava cheio...que surpresa! Até tivemos direito a assento! A viagem para Veneza foi curta, como sempre. Parámos na Piazzale Roma e fomos comprar o bilhete de vaporetto. Gastamos 15 euros num bilhete de ida e volta até ao Lido. Tão simpáticos nos preços dos transportes! Atravessamos o Grande Canal, rumo à praia. Em poucos minutos, chegámos ao destino pretendido.

O que dizer de Lido di Venezia? Bem... é uma ilha situada à entrada da lagoa de Veneza, com 18 kms de comprimento. É uma longa parede de areia que separa a lagoa do golfo de Veneza (Mar Adriático). É uma estância balneária e turistica, onde se realiza o festival cinematográfico da Bienal de Veneza, bem como o Festival Internacional de Cinema de Veneza em setembro. Também é neste local que se realizam diversas exposições de arte e se encontra um casino. Tem 20 mil habitantes e possui três localidades:o próprio Lido a norte (que alberga o Grand Hotel des Bains, o casino e o Grand Hotel Excelsior), Malamocco no centro (foi a primeira povoação e lugar de residência do Doge de Veneza) e Alberoni no sul (alberga o Forte de San Nicolo e um campo de golfe).

Ficámos pelo Lido e fomos à sua praia, que ainda ficava a uma longa caminhada. Notou-se o esmero nas ruas, imaculadamente limpas e cheias de arvoredo. Os edificios eram agradáveis à vista e sentia-se uma enorme descontração no ar, apesar do intenso calor. Deparámo-nos com um edificio imponente com a designação de Grande Albergo Ausonia & Hungaria. Localizado na Gran Viale Santa Maria Elisabetta, a rua principal de Lido, e que conduz até à praia, este hotel foi inaugurado em 1907 pelo empresário Friuli Frederico Fabrizio. O seu nome original era Hungaria Palace Hotel e foi desenhado pelo Arquitecto Nicolo Piamonte. A maioria dos hóspedes deste hotel vinha do noroeste da Europa, visto que o reino da Húngria estava bem conectado com Veneza por comboio e por mar. Esteve fechado durante a I Guerra Mundial, tendo reaberto em 1920. Devido a um conflito entre a Áustria e a Húngria, a designação do hotel alterou-se para Ausonia. Foi renovado em 2011 e, anualmente, recebe as estrelas internacionais que participam no Festival de Cinema.

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Depois de 10 minutos a caminhar, chegámos à praia. São mais de 12 kms de areia que se espalham pela ilha. Sinceramente, não se diferencia de uma qualquer praia da linha em Portugal. Tem os seus bares e restaurantes, os toldos alinhados não muito longe do mar, concecionando algum espaço. Não era uma praia totalmente limpa, quer na areia, quer no mar. Comparativamente com as águas cristalinas das praias da Croácia, fica aquém das expectativas. Contudo, é uma praia historica visto que o escritor Thomas Mann escreveu o romance "Morte em Veneza" na mesma. Luchino Visconti deu vida ao livro em 1971, gravando o filme com o mesmo nome nesta praia, no Hotel Excelsior e em Veneza. Engraçado... eu conhecia o filme, mas nunca me dei ao trabalho de saber algo mais sobre ele. Repentinamente, vi-me a consultar o IMDB e a net à procura de videos sobre o filme, nomeadamente a rodagem do mesmo nos locais já mencionados.

O ponto mais positivo desta praia é, sem dúvida, a temperatura da água do mar. Tão quentinha, convidando a muitos mergulhos, apesar das ondas elevadas, das algas e da areia que inundava o bikini. Inicialmente, não estava muito impressionada com a praia, mas depois deixei-me levar. Caramba, estava de férias em Itália e merecia libertar-me de preconceitos e opiniões negativas. Passei o resto da manhã, essencialmente entre o mar e a areia.

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Depois de umas horas bem passadas em banhos de mar e de sol, retornámos ao cais e apanhámos o vaporetto de volta a Veneza. O nosso objetivo era chegar ao hotel, tomar um duche, descansar durante umas horas no quarto e, depois, desfrutar do romantismo e singularidade de Veneza pela última vez. E sim, jantar comida verdadeiramente italiana!

O nosso maior aliado nesta viagem foi, inquestionávelmente, o Tripadvisor. Este site, através das opiniões de outros turistas, permite descobrir restaurantes onde vale mesmo a pena desfrutar de uma refeição. E, graças a ele, encontrámos um dos melhores restaurantes de Veneza, chamado Trattoria Bar Pontini (https://www.facebook.com/pages/Trattoria-Pontini/909964329144024), em pleno distrito de Cannaregio, junto a um dos inúmeros canais existentes. Não sei por onde começar... eram 19:30h, hora local, quando chegámos ao restaurante. Já estávamos cientes que, provavelmente, teriamos que esperar por uma mesa. Aliás, no Tripadvisor isso estava mais que falado. Um restaurante com muitas reservas e sempre a bombar. Passa despercebido junto ao canal, apesar de ter uma entrada charmosa. Possui uma esplanada exterior, onde toda a clientela quer estar. Mas haverá momento mais delicioso que comer comida italiana junto a um dos canais de Veneza, vendo as gondôlas a passar debaixo das pontezinhas? Claro que não! Quando chegámos, deparámo-nos com uma fila de espera que prometia estender-se indefinidamente. Tinhamos 4 casais e um grupo de asiáticos à frente e atrás de nós. Erámos as únicas europeias no meio de tantos orientais. De facto, os turistas asiáticos têm um faro apurado para descobrir bons restaurantes. A nossa espera foi, sensivelmente, de uma hora...em pé. Já começava a babar ao ver os magnificos pratos que iam para as mesas, especialmente a tigelada de tiramisú. A Joana, inquieta, entrava e saía do restaurante para tentar perceber como estava o ambiente... muito movimentado, por sinal. Às 20:30h, finalmente sentámo-nos numa pequena mesa de frente para o canal. A senhora que nos atendeu demonstrou sempre muito profissionalismo e simpatia, até mesmo nos momentos mais agitados. Assim que abrimos o menú, ficámos maravilhadas com a sua diversidade e qualidade. Havia pastas de todos os tipos, bem como pizzas, pratos de carne e de peixe. A Joana comeu esparguete com frutos de mar e marisco, que só de olhar, fazia verter água pela boca. Eu decidi-me pelo Penne al Salmone, massa penne com pedaços de salmão. Meu Deus...estava divinal! Não comi algo tão agradável ao palato, tão suave que se desfazia na boca. O meu prato estava excelente e pelo ar de felicidade da Joana, o dela também estava semelhante. De seguida, pedimos o doce mais requisitado do restaurante... uma enorme tigela de tiramisú. Só tenho uma palavra para descrever este doce: soberbo. A melhor sobremesa que alguma vez comi! E bastava só uma tigela para duas pessoas. E tudo isto por 20 euros cada uma!

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Para além da excelente refeição, também desfrutamos de uma interessante conversa com um casal estrangeiro. Ela era escocesa e ele neo-zelandês. Viviam na Austrália, onde ele era mineiro. Partilharam as suas viagens turísticas, onde confessaram que ainda não tinham visitado Portugal, embora tivessem vontade de o fazer. Ele fez questão de salientar as diferenças entre um australiano e um neo-zelandês, porque havia o hábito de se confundir as duas nacionalidades. Eles estavam a fazer uma viagem de quase um mês pela Itália e ainda faltava muito para ver. Achamos piada ao desejo do casal: ir viver para a Tailândia quando se reformassem! O motivo era bastante válido...o custo de vida é extremamente baixo, bem como o preço das cervejas.

Saímos do restaurante, de bem com a vida e com a barriguinha confortada. Passeámos pelas ruelas e pracetas de Veneza, onde pude observar sinais de raiva e indignação dos habitantes para com os turistas. Em várias pracetas, encontravam-se afixadas mensagens contra os turistas e onde se percebia que os locais queriam o seu sossego de volta. Entendo este ponto de vista...também eu já não consigo achar piada ao enxame de pessoas que invade Lisboa diariamente, impedindo-me de desfrutá-la convenientemente. Ainda estivemos sentadas à beira de um canal, onde conhecemos uma mãe e um filho belgas, que falaram maravilhas de Portugal, especialmente de Lisboa e Cascais. 

O dia acabou no hotel, onde chegamos cansadas, mas extremamente felizes. O dia teve um final espectacular e são estes finais que tornam a vida mais especial. No dia a seguir, iriamos para Florença, em pleno coração da Toscânia.