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Viagens sem Fronteiras

Viagens sem Fronteiras

Um passeio pelo Lago Como

4 de agosto de 2017.

Depois de uma chegada ligeiramente conturbada a Milão e de uma noite onde dormi que nem uma pedra, apesar da comichão nas pernas, acordei revigorada para mais uma descoberta por terras italianas. Já nem preciso de despertador para acordar...o meu relógio natural funciona muito bem. Até em férias, o meu corpo não consegue estar mais horas deitado na cama, do que aquelas necessárias para descansar. E claro, quanto mais cedo se começa o dia, mais se consegue aproveitá-lo. 

O comboio para Como partia às 08:10h da Estação Central, o que implicava acordar por volta das 06.30h e tomar o pequeno-almoço às 07:00h. Muitos se calhar não saíriam tão cedo da cama, mas para descobrir convenientemente um local é necessário fazê-lo com tempo e calma.

À hora marcada, eu e a Joana estávamos na sala do pequeno-almoço do hotel, preparadas para iniciar a refeição. O dito espaço tinha a particularidade de servir os hóspedes do hotel, bem como servir os habitantes milaneses como Clotilde Bistrot (https://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g187849-d7899340-Reviews-Clotilde_Bistrot-Milan_Lombardy.html), uma pastelaria elegante e bem apetrechada de doces, cuja entrada se fazia do outro lado da esquina do hotel. Por isso era engraçado não só ver os hóspedes madrugadores a tomar o seu pequeno-almoço, bem como os milaneses que se preparavam para o seu trabalho diário.

O pequeno-almoço conferiu a este hotel mais uma nota positiva da nossa parte. Para além do espaço ser elegante, a mesa onde se encontrava o repasto alimentar era simplesmente fabulosa. Até dava para comer com os olhos... havia pão, cereais, leite, café, sumos, água, frutas, bruschettas, saladas, ovo cozido e mexido, salsichas, fiambre, presunto, queijos e diversa pastelaria, como croissants (com creme de ovos, chocolate, simples e com sementes), mini bolas de berlim, fatias de diversos bolos...os meus olhos perdiam-se no meio de tanta comida à disposição. Escusado será dizer que durante a nossa estadia neste hotel, desfrutamos deste pequeno-almoço da melhor maneira possivel. E ainda faziamos o nosso farnel para a viagem... mesmo à tuga. E podíamos pedir ao criado de mesa um cappuccino para finalizar a refeição. Não preciso de dizer que o cappucino que me chegava às mãos era tão perfeito como o pequeno-almoço, muito cremoso e suave... até me dava vontade de não bebê-lo para não estragar a obra de arte que estava na chávena.

Saímos do hotel com a barriga cheia, aconchegada e um enorme sorriso nos lábios. Isto é que era a vida... era isto que fazia compensar quase um ano de árduo trabalho, de irritações, de stress...  usufruir de um excelente pequeno-almoço na cosmopolita Milão e poder visitar as belas paisagens do Lago Como, o nosso próximo destino.

Antes mesmo de abordar este lago, é necessário falar da região da Lombardia, que se estende desde os Alpes, na fronteira com a Suiça, até aos lagos românticos de Como e Maggiore e ao vasto e plano Rio Po. É uma zona de villas à beira dos lagos com jardins decorados de azáleas, de cidades endinheiradas com palácios e igrejas extremanente decoradas, da indústria moderna, da agricultura a larga escala. É o coração financeiro de Itália, com o seu centro em Milão, a sua capital cosmopolita.

Mas o nosso destino era o famoso Lago Como, local onde celebridades mundiais como George Clooney e José Mourinho possuíam as suas villas. Este lago situa-se numa ídilica paisagem de montanhas e encostas acidentadas, e tem atraído muitos turistas ao longo dos séculos, que querem passear de barco, fazer caminhadas pelas colinas, relaxar por alguns momentos e encontrar inspiração pessoal. O próprio lago, pelo que pude constatar, envolve as pessoas numa tranquilidade quase misteriosa. O seu longo e estreito formato, como uma fúrcula devido a uma erosão glaciar, oferece uma visão encantadora dos Alpes a norte, bem como de Como e Lecco a sul.

A estação ferroviária fica no ponto mais alto de Como, uma cidade charmosa e principesca, que encanta ao primeiro olhar. A primeira paragem deste passeio ocorre num enorme jardim, à beira do lago, chamado Amici di Como. Neste espaço verde localiza-se o Tempio Voltiano, onde se pode fazer uma viagem sobre a ciência. A sua designação é dedicada ao físico Alessandro Volta, responsável pela invenção da pilha.

 

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Passava um pouco das 9 horas e o jardim já estava composto de pessoas, quer locais, quer turistas. Junto ao lago, existiam sombras que aligeiravam o calor abrasador que já se sentia. As pessoas sentavam-se despreocupadamente na relva, nos bancos de jardim, bem como banhavam-se na água plácida do lago. De facto, a visão que o lago proporcionava era de se tirar o fôlego... o sol brilhava no lago, o céu estava isento de nuvens, conferindo à paisagem uma beleza quase éterea. Sen dúvida, eu estava num pequeno paraíso na Terra.

 

  

Comecei a sentir comichão nas pernas, mas não liguei muito à situação. Queríamos aproveitar ao máximo a cidade, pelo que resolvemos caminhar pelo calçadão à beira do lago e chegámos à Piazza Cavour, um pequeno rectângulo com edificios elegantes, que ficava próximo da Piazza Duomo. Nesta praça, situa-se a Cattedrale di Como, ou Cattedrale di Santa Maria Assunta, um templo católico que é a sede da Diocése de Como. É o edifício religioso mais importante da cidade e um dos mais conhecidos da zona do Lago de Como.

Descrita como uma catedral do estilo gótico, a sua contrução começou em 1396, sob a supervisão de Lorenzo degli Spazzi di Laino, tendo sido concluída em 1770 com a construção da cúpula, desenhada pelo arquitecto Filippo Juvara. O edifício tem 87 m de largura, entre 36 a 56 m de comprimento e 75 m na parte mais alta da cúpula (http://www.cattedraledicomo.it/index.php/it/).

 

 

De seguida, dirigimo-nos à Piazza Giuseppe Verdi, onde se localiza o Teatro Sociale, desenhado pelo Arquitecto Giuseppe Cusi por ordem da nobreza local, que queria construir um novo edifício para substituir o existente, visto como antiquado. Foi escolhido o local de um castelo medieval em ruínas, Torre Rotonda, e a Societá dei Palchettisti foi criada para financiar a sua construção (http://www.teatrosocialecomo.it/). A sua construção iniciou-se em 1812, com uma fachada neo-clássica, mas devido a um inverno rigoroso, não pôde ser finalizada no mesmo ano. Foi concluída somente no Verão de 1813.

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Enquanto observávamos o edificio debaixo de uma torrente de sol forte, fomos brindadas com a melodia de Verdi, que saía pelas janelas abertas do teatro e que ecoava por toda a praça. Sentei-me nas escadarias do edifício, onde a sombra possibilitava-me um pouco de frescura. A comichão nas pernas aumentava consideralvemente e começaram a aparecer babas enormes, vermelhas e que estavam assanhadas por causa do intenso calor. Foi assim que o pesadelo começou...

Continuámos a nossa visita pela cidade e deparámo-nos com a Piazza San Fedele, uma pequena cidade pitoresca dentro de Como, onde antes existira o mercado.  Nesta praça, situa-se a Basilica di San Fedele, dedicada ao mártir São Fedele. De origem romana, data de 1120. A sua restauração em 1914, alterou a fachada e a torre do sino.

 

 

O seu interior é magnânimo, com três naves e três presbitérios, cobertos por uma cúpula e rodeados de um ambulatório. Ao longo destes ambulatório, poderia observar-se frescos medievais.

 

 

A própria praça é digna de apreciação, com edifícios pitorescos e cores garridas, que se sobressaíam com o sol. A basílica pode ser o edifício que mais chama a atenção, mas a tranquilidade que paira na praça, com as ruas adjacentes e estreitas em redor, também contribuem para a beleza da mesma.

 

 

A caminhada pelas ruas estreitas e encantadoras de Como proporcionou a observação da Mura di Como, um muro medieval que cerca três lados do centro da cidade e que ainda se encontra bem preservado. Foi construído por Giulio Cesare na primeira metade do Séc. I a.c. e tinha como objetivo ser uma estrutura defensiva complexa, que cobria o acesso a Milão e ao vale do Pó dos Alpes Centrais. Neste muro, fazem parte as antigas portas de entrada para Como, Porta di Como Romana e a Porta Torre.

Porta di Como Romana foi a principal porta de entrada romana para Como, conhecida como Porta Pretoria, tendo sido local de passagem daqueles que queriam chegar a Milão. Esta entrada foi descoberta em 1914 durante a construção de um edifício na mesma  zona, sendo visitada atualmente por muitos turistas.

Porta Torre é um dos exemplos mais interessantes da arquitectura militar romana em Itália. Tem uma aparência maciça do lado de fora, enquanto que no lado da cidade é iluminada por quatro fileiras de arcos. Em cada extremo do muro, encontram-se a Torre San Vitale (lado esquerdo) e a Torre Gattoni (lado direito).